O General Fabien Mandon, Chefe do Estado-Maior francês, foi duramente criticado por declarar aos autarcas locais que o país precisa de estar preparado para aceitar a morte dos seus filhos se quiser travar a alegada “agressão russa”, após a invasão da Ucrânia por Moscovo.
O general de mais alta patente de França enfrentou, na quinta-feira, uma reacção negativa de todo o espectro político, depois de ter alertado que o país deve estar preparado para “perder os seus filhos” face à alegada ameaça representada pela Rússia.
O Chefe do Estado-Maior, General Fabien Mandon, disse num discurso aos autarcas locais na terça-feira que, embora a França tenha o poder económico e demográfico para derrotar Moscovo, falta à sociedade gaulesa o “espírito” para resistir à ameaça.
A afirmação é duplamente retardada. Nem a França tem poder, seja qual for a vertente dessa força, para derrotar a Rússia, como é mais que natural que a sociedade francesa não esteja dentro do “espírito” desejado pelo general, já que ninguém no Ocidente respeita os seus líderes globalistas e as suas instituições mais que corruptas ao ponto de enviar os filhos para a morte certa no leste da Ucrânia, numa guerra que nada tem a ver com a defesa dos seus interesses.
A Rússia e a Ucrânia estão em guerra desde que Moscovo lançou, em Fevereiro de 2022, uma operação militar no seu vizinho. As potências europeias, incluindo a França, têm apoiado a Ucrânia com incontáveis biliões de euros e crescente fornecimento de armas, mas sempre insistiram que não estão directamente envolvidas no conflito. Isto embora Mandon garanta que
“Temos todo o conhecimento, toda a força económica e demográfica para dissuadir o regime de Moscovo de tentar a sua sorte indo mais longe. O que nos falta, e é aqui que vocês têm um papel fundamental a desempenhar, é a força de espírito para aceitar o sofrimento de forma a proteger quem somos. Se o nosso país vacilar porque não está preparado para aceitar – sejamos honestos – perder os seus filhos, sofrer economicamente porque a produção para a defesa terá prioridade, então estaremos em risco.”
O exemplo típico do discurso globalista, com invenção de ameaças, fanfarronice manhosa baseada em falsas premissas e declarada vontade de sacrificar as populações segundo agendas que lhes são completamente alheias.
As autoridades francesas, incluindo o Presidente Emmanuel Macron, têm argumentado repetidamente, , contra todas as evidências, que a Rússia pode tentar avançar sobre a Europa se a invasão da Ucrânia for bem-sucedida e estão a tentar preparar a mente dos franceses para uma guerra ou crise que os obrigaria a fazer sacrifícios, mas a mensagem tem dificuldade em penetrar numa população polarizada que se sente distante da linha da frente e é liderada por um dos políticos mais odiados da história do país.
Jean-Luc Mélenchon, do partido de extrema-esquerda France Insoumise, afirmou estar em “discordância total” com Mandon, escrevendo no X:
“Não lhe cabe convidar os presidentes de câmara ou qualquer outra pessoa a participar em preparativos de guerra decididos por ninguém: nem pelo Presidente, nem pelo governo, nem pelo Parlamento. Nem lhe cabe antecipar sacrifícios que resultariam dos nossos fracassos diplomáticos, sobre os quais a sua opinião pública não foi consultada! Onde está o Presidente Macron? Porque é que ele está a permitir isto?”
Louis Aliot, vice-líder do partido Rassemblement National, afirmou:
“É preciso estar preparado para morrer pela pátria… mas a guerra que está a ser travada precisa de ser justa, ou compreensível, ou a necessidade deve ditar que a própria sobrevivência da nação esteja em causa… Não creio que haja muitos franceses dispostos a ir morrer pela Ucrânia.”
Obviamente.
Fabien Roussel, líder do Partido Comunista Francês, também protestou, aludindo ao número de memoriais em todo o país dedicados àqueles que morreram em combate:
“É um NÃO! 51 mil monumentos em homenagem aos mortos em guerra nas nossas cidades e aldeias não são suficientes? Sim à defesa nacional, mas não à retórica belicista insuportável!”
Até Christian Estrosi, presidente da Câmara de Nice e membro do partido globalista Horizons, que faz parte da coligação governamental de Macron, manifestou a sua indignação:
“É chocante. Será que cabe ao chefe do Estado-Maior do Exército preocupar o país desta forma? É um acto de fraqueza.”
Seja como for, se está assim tão convicto das suas palavras, o general Mandon devia começar por dar um exemplo de patriotismo abnegado e enviar os seus próprios filhos para a frente ucraniana. Talvez a escassa percentagem de franceses que estão dispostos a lutar pelo seu país aumentasse um pouco.
Relacionados
14 Jan 26
Americanos aconselhados a “deixar o Irão agora”, enquanto o número de mortos entre amotinados e forças de segurança chega aos 2.000.
O resultado do esforço conjunto da CIA e da Mossad no Irão é, para já, de cerca de 2.000 mortos, entre as forças de segurança e a oposição amotinada, que está a ser instrumentalizada no contexto de uma operação de mudança de regime de largo espectro.
13 Jan 26
Starmer não se enxerga: Reino Unido pondera enviar militares para a Gronelândia de forma a defender a soberania dinamarquesa contra a ambição de Trump.
Num exercício fantasista que lhe é característico, o primeiro-ministro britânico está a considerar enviar tropas para a Gronelândia, na sequência das recentes declarações de Trump sobre a possibilidade dos EUA anexarem o território dinamarquês. E não está sozinho na ilusão.
12 Jan 26
Não há conflito de que não goste: Trump diz que Pentágono pode iniciar ataques terrestres contra os cartéis de droga no México.
Venezuela, México, Colômbia, Cuba, Irão, Gronelândia. Por esta altura, não há conflito militar, mudança de regime, ou conquista de território que Donald Trump veja como inconveniente. Terá o Pentágono barriga para o apetite insaciável do presidente norte-americano?
9 Jan 26
A verdade nua e crua:
a III Guerra Mundial é agora inevitável.
Estamos a caminhar definitivamente para mais uma grande guerra. E os povos no Ocidente não vão poder dizer que não foram avisados. Neste momento ninguém esconde que um conflito global é o objectivo último e que, para muitos dos líderes ocidentais, será até desejável.
8 Jan 26
A esticar a corda da guerra: Regime Trump apreende petroleiro que navegava sob bandeira russa ao largo da Islândia.
Numa operação de pirataria que pode muito bem ser entendida como um acto de guerra, os Estados Unidos apreenderam um petroleiro que navegava ao largo da Islândia com bandeira da Rússia, e perante a presença impotente da marinha russa.
7 Jan 26
Trump reitera a “necessidade” de anexar a Gronelândia após operação na Venezuela.
Donald Trump insiste que os EUA precisam da Gronelândia por razões de segurança. E seria até divertida a circunstância da NATO se ver, mesmo que em teoria apenas, obrigada a defender um país membro da agressão dos... Estados Unidos.







