Quando em 2020 Donald Trump deu luz verde à ‘Operação Warpspeed’, que libertava e financiava as farmacêuticas para produzirem vacinas de tecnologia mRNA contra a Covid em tempo recorde e saltando vários protocolos de segurança, talvez estivesse longe de saber o que estava de facto a fazer (ainda hoje se recusa a fazer uma pequena ideia, na verdade). O resultado dessa ‘operação’ foram 17 milhões de mortos, pelo menos, sem contar com aqueles que vivem afectados pelos efeitos adversos das terapias genéticas globalmente injectadas em biliões de pessoas.

Agora, em 2025, Donald Trump não tem desculpa, porque as ameaças e os efeitos adversos das tecnologias de Inteligência artificial são já bem conhecidos, e a ‘Missão Genesis’ que acabou de formalizar pode até ter efeitos bem mais nefastos do que o infame decreto de 2020.

Na tarde de segunda-feira, o presidente norte-americano assinou uma ordem executiva que lança a ‘Missão’, um grande esforço federal para acelerar a investigação e o desenvolvimento em inteligência artificial nos Estados Unidos. A ordem orienta as agências a expandirem drasticamente o seu poder computacional, a abrirem vastas bases de dados federais e a acelerarem a utilização da IA ​​na ciência.

O sonho distópico de Peter Thiel e Alex Karp está a materializar-se, apenas dez meses depois da tomada de posse de Trump.

Michael Kratsios, conselheiro presidencial para a ciência e tecnologia, vai liderar o projecto. Numa analogia infeliz, mas provavelmente certeira, a iniciativa é descrita como “comparável em urgência e ambição ao Projecto Manhattan”, que culminou no rebentamento atómico de duas cidades japonesas e na morte de incontáveis inocentes.

A Casa Branca está a sublinhar a importância do programa para a “produtividade da força de trabalho”, a segurança nacional e o “avanço da ciência”, mas o que sabemos das tecnologias de IA é que destroem o emprego, ameaçam a moderação humana nas decisões militares e contribuem, pelo menos até ver, pouco ou nada para o conhecimento científico. A não ser no pior sentido da expressão.

O Secretário de Energia, Chris Wright, foi incumbido de construir uma nova “Plataforma Americana de Ciência e Segurança” que servirá como infraestrutura centralizada do programa.

Alegadamente, a “Missão Genesis” procura combinar conjuntos de dados científicos federais para treinar modelos de IA poderosos e desenvolver agentes de IA capazes de automatizar a investigação e impulsionar descobertas significativas.

A ver vamos, que “descobertas significativas” serão essas.

No prazo de 90 dias, o Departamento de Energia deverá catalogar os recursos computacionais disponíveis dos parceiros do sector privado para fortalecer a iniciativa e aprofundar a colaboração público-privada. Ou seja: Silicon Valley terá que entrar em cena e todos sabemos, ou devemos saber, o que isso quer dizer: transhumanismo alarve, com rédea solta.

O projecto baseia-se no National Artificial Intelligence Research Resource (NAIRR), criado em 2020, que uniu agências federais a organizações privadas como a OpenAI e a Google para formar uma comunidade nacional de investigação em IA. Os desenvolvimentos recentes incluem colaborações com a AMD e a Nvidia para construir supercomputadores de última geração dedicados à IA  no Laboratório Nacional de Oak Ridge.

Chris Wright afirmou a propósito do novo programa:

“Vencer a corrida da IA ​​exige parcerias novas e criativas que reúnam as mentes e as indústrias mais brilhantes que a tecnologia e a ciência americanas têm para oferecer.”

Não há nada mais perigoso para a humanidade do que o brilhantismo destas mentes e destas indústrias.