Neste momento corre na Internet uma grande polémica sobre privacidade e segurança dos telemóveis Samsung, com a empresa coreana a ser acusada de instalar um “spyware israelita irremovível” nos equipamentos da série Galaxy.
A aplicação é o AppCloud, que já existe há vários anos. É uma aplicação de marketing para incentivar a instalação de outras aplicações no seu telemóvel. Mas é compreensível que os utilizadores não queiram aplicações obscuras e irremovíveis, independentemente da sua funcionalidade e quando existem legítimas suspeitas sobre manipulação de dispositivos electrónicos pelos serviços secretos sionistas.
A actual polémica começou com uma “carta aberta à Samsung” da SMEX, que se descreve como “uma organização sem fins lucrativos que defende e promove os direitos humanos em espaços digitais no Médio Oriente e Norte de África”. A carta pedia à Samsung que “acabasse com as instalações forçadas de bloatware de origem israelita”.
A aplicação foi desenvolvida em Israel pela IronSource, que faz agora parte da Unity, uma empresa americana que “cria e desenvolve jogos e experiências interactivas em todas as principais plataformas, desde dispositivos móveis, PCs e consolas até à realidade alargada”.
A SMEX afirma ter investigado o AppCloud e que é
“irremovível, profundamente integrado no sistema operativo dos dispositivos, tornando quase impossível para os utilizadores comuns desinstalá-lo sem acesso root, o que anula as garantias e representa riscos de segurança. Mesmo a desactivação do bloatware não é eficaz, uma vez que pode reaparecer após actualizações do sistema”.
Esta carta aberta está a ganhar tracção nas redes sociais, que incluem agora alegações de que este “spyware” está a recolher dados de utilizadores com ligações ao Estado de Israel.
Há também relatos de que alguns países estão a considerar banir os dispositivos Samsung devido à existência da aplicação.
‼️ Unremovable Israeli Spyware Found on Samsung Devices
Samsung faces backlash over AppCloud, an Israeli-developed app pre-installed on budget Galaxy A and M series devices.
Investigations reveal the app is embedded in the operating system, preventing full removal. Even when… pic.twitter.com/QWkc9od9yg
— International Cyber Digest (@IntCyberDigest) November 14, 2025
A história não mostra sinais de arrefecimento. Como afirma o Android Authority,
“a Samsung viu-se no centro de uma controvérsia por causa de uma aplicação pré-instalada em alguns dos seus dispositivos acessíveis enviados para certas partes do mundo. O que torna a situação ainda mais grave é que o AppCloud, dadas as suas permissões de aplicação de sistema, não pode ser facilmente desinstalado. A aplicação pode ser removida utilizando comandos ADB, embora seja improvável que a maioria dos utilizadores tenha conhecimento ou esteja familiarizada com estes métodos”.
A Samsung respondeu com uma salada de palavras à crescente atenção dos media, incluindo uma série de publicações altamente virais nas redes sociais, que alcançaram milhões de visualizações:
“A Samsung leva a protecção dos dados dos nossos utilizadores muito a sério e está empenhada em proporcionar uma experiência segura, em estrita conformidade com as leis e regulamentos locais. Procuramos continuamente melhorar a experiência dos nossos clientes, colaborando de perto com uma vasta gama de parceiros regionais e globais. Os princípios fundamentais da Samsung de segurança, privacidade e controlo do utilizador garantem que os nossos clientes têm a opção de gerir os seus dados pessoais como desejarem, com o mais alto nível de proteção possível.”
Isto não responde à questão de quais as opções futuras que os utilizadores poderão ter para eliminar a aplicação, nem fornece mais detalhes sobre os dados recolhidos.
Tanto mais que as próprias autoridades israelitas reconhecem que interferem em dispositivos electrónicos em grande escala. Como o ContraCultura documentou recentemente, o ex-chefe da Mossad, Yossi Cohen, gabou-se recentemente num podcast de ter “instalado armadilhas” e “manipulado” equipamentos por todo o mundo, colocando em causa a segurança dos produtos de consumo em massa fabricados em Israel ou que usem componentes fabricados em Israel.
Relacionados
5 Mar 26
Trump ordena ao governo federal que abandone as ferramentas de IA da Anthropic. Mas não pelas razões certas.
Donald Trump anunciou que o governo federal dos EUA vai deixar de utilizar a tecnologia de IA da Anthropic. Mas, ao contrário do que seria de esperar, mais por escrúpulo da empresa em utilizar os seus sistemas em cenários de guerra, do que por justificadas cautelas do Pentágono.
2 Mar 26
Apple compra obscura startup israelita, que criou software para detectar “micromovimentos” faciais e antecipar comportamentos humanos.
A gigante tecnológica anunciou a compra da Q.ai, uma startup israelita pouco conhecida, por quase 2 biliões de dólares. Um valor impressionante para uma pequena e meio obscura empresa. Mas o seu software parece poderoso. E sobretudo, distópico.
1 Mar 26
A assustadora descentralização do saber
Talvez o maior choque da nossa época não seja tecnológico, mas cognitivo. Pela primeira vez, o conhecimento começa a escapar ao centro, e ainda não sabemos bem o que fazer com essa descentralização do saber. Uma crónica de Silvana Lagoas.
28 Fev 26
Porque é que o tempo acelera, à medida que envelhecemos?
À medida que somamos primaveras, notamos que o tempo corre cada vez mais depressa. Richard Feynman, o Prémio Nobel da Física de 1965, explicou porquê, e deixou bons conselhos para combater esse vertiginoso processo.
26 Fev 26
O escândalo Starliner: NASA e Boeing esconderam colapso técnico e industrial.
Numa brutalmente honesta conferência de imprensa, o director da NASA, Jared Isaacman, revelou os inúmeros problemas que afectaram o programa Starliner, pondo a nu as fragilidades da parceria com a Boeing e o respectivo encobrimento por parte da agência espacial americana.
25 Fev 26
Chefe de segurança de IA da Anthropic demite-se, alertando para um “mundo em perigo”.
O líder da Equipa de Investigação de Salvaguardas do chatbot Claude, da Anthropic, demitiu-se abruptamente na semana passada, divulgando uma carta em que alertava para um "mundo em perigo" e para o facto da actividade da Anthropic não ser regida por valores morais.






