O Congresso norte-americano aprovou na quarta-feira a Lei de Transparência dos ficheiros Epstein por uma margem à prova de veto. Mas os opositores da lei têm outro plano para anular o espírito da lei, descrito num documento distribuído por debaixo da mesa pelo insuportavelmente viscoso speaker da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, que já tinha afirmado sobre a eventualidade dos ficheiros caírem no domínio público:
“Isto coloca em risco futuras investigações federais e temos preocupações com a segurança nacional em relação a informações classificadas.”
A lagartixa não estava a falar de improviso. Estava a citar um documento produzido pelo seu gabinete que detalha cinco “falhas” no projecto-lei. A quinta e última falha, intitulada “preocupações com a segurança nacional”, afirma:
“É incrivelmente imprudente exigir que o Departamento de Justiça desclassifique materiais originados por outras agências. A desclassificação deve… proteger as fontes e os métodos. O Congresso deve trabalhar com a Procuradora-Geral para desclassificar num prazo razoável”.
Por outras palavras, a administração Trump deveria ter a palavra final por causa da “segurança nacional”.
Não a segurança nacional que tem a ver com a defesa da federação ou com os danos para a nação, mas o tipo de segurança nacional que protege o sistema do povo, privando-o de informação — neste caso, sobre Jeffrey Epstein, as suas mais de mil vítimas, e quaisquer cúmplices que tenha tido. Com 89% dos americanos a concordar que o Departamento de Justiça deveria divulgar toda a informação sobre Epstein (!), a mensagem é clara: a “segurança nacional” é mais importante do que a democracia.
Na resolução do Congresso que tenta forçar a divulgação dos registos do governo, liderada pelos representantes dissidentes do costume, Thomas Massie, Ro Khanna e Marjorie Taylor Green, surge uma palavra aparentemente inócua: “desclassificados”.
É uma palavra oficial que, em teoria, só existe quando se trata de assuntos de segurança nacional; ou seja, quuando a divulgação de informação pode causar “danos” à segurança nacional. Há, naturalmente, uma pequena hipótese de que alguns métodos do FBI relacionados com a recolha de informações possam ser oficialmente classificados como “secretos”, porque a divulgação poderia expor certas capacidades do governo, mas, mesmo assim, é legítimo argumentar que o público tem o direito de saber.
E, no entanto, de alguma forma, a palavra acabou por entrar na Lei de Transparência dos ficheiros Epstein.
É a palavra errada. O projecto-lei, depois de exigir que “nenhum registo seja retido, atrasado ou editado com base em constrangimento, dano à reputação ou sensibilidade política, incluindo para qualquer funcionário governamental, figura pública ou dignitário estrangeiro”, acaba por se auto-anular, numa explosão de ironia que deve escapar aos animais do pântano.
O projecto-lei refere que, se o Procurador-Geral “determinar que as informações protegidas não podem ser desclassificadas e disponibilizadas de forma a proteger a segurança nacional dos Estados Unidos, incluindo métodos ou fontes relacionados com a segurança nacional, o Procurador-Geral deverá divulgar um resumo não classificado para cada uma das informações secretas editadas ou retidas”. Ou seja, o Procurador-Geral decidirá o que divulgar e como classificar a informação.
A sério?
A mesma senhora Pam Bondi que disse que tinha os ficheiros Epstein em cima da sua secretária e que depois afirmou que estes ficheiros não existiam é que vai controlar o que podemos ou não podemos saber sobre as monstruosas actividades de Jeffrey Epstein e dos seus cúmplices e dos seus clientes, todos eles, mais que provavelmente, ligados às mais altas esferas do poder nos EUA?
É perfeitamente possível que Massie, Khanna e Green (ou os seus conselheiros e advogados) nem sequer tenham considerado alternativas à utilização do termo “segurança nacional”, mas é mais provável que os oficiais de ligação do Departamento de Justiça e do FBI no Congresso tenham ajudado a elaborar uma linguagem aceitável.
Questionado pelo jornalista independente Michael Tracey sobre uma excepção semelhante relacionada com a “segurança nacional” numa legislação anterior, a resposta de Massie foi que não tinha escolha, afirmando:
“É preciso incluir isto se quiser que eles assinem… Não é algo que eu diria de imediato: ‘Vamos incluir isto’. É algo que, quando se apresenta o projecto-lei a outros colegas e se pergunta: ‘Podem assinar isto? Já agora, conseguem que todos os democratas assinem?’, é uma das coisas que consideramos necessário incluir.”
Tudo parece um procedimento padrão, mas a resolução acaba por sucumbir ao contrapeso monumental da “segurança nacional” que parece estar a contaminar todos os aspectos da vida pública americana. E a explicação de Massie, que é sem dúvida um desalinhado, dá uma ideia de como os congressistas demonstram deferência para com a lógica secretiva de forma automática.
A verdade é que os ricos e poderosos, e as agências de segurança e inteligência, estarão, em última análise, protegidos daqueles que clamam por mudanças no comportamento escandalosamente corrupto do governo federal norte-americano. Estas personalidades e estas instituições não se estão a esconder atrás da segurança nacional. São a segurança nacional.
Relacionados
14 Jul 26
Steve Baker, o 6 de Janeiro e o modus operandi do Estado profundo.
Tucker Carlson conversa com o jornalista independente Steve Baker, que tentou escarafunchar na narrativa do 6 de Janeiro de 2021, tendo sido por essa ousadia preso pelo FBI do regime Biden e perseguido activamente pelo FBI do regime Trump.
14 Jul 26
Passou-se de vez: Trump quer agora cobrar taxas aos navios que passem pelo estreito de Ormuz.
O presidente norte-americano sugeriu, de forma estapafúrdia, que os EUA começassem a cobrar uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pela navegação mercantil no Estreito de Ormuz. Ou seja: depois de o ter fechado, Trump quer que lhe paguem para o abrir.
13 Jul 26
Projecto-lei do governo britânico ameaça com prisão pais e médicos que resistam a tratamentos de transição de género para crianças.
Intensificando a tendência para a radicalização da ideologia de género, o governo britânico está a ameaçar pais, professores e médicos com pena de prisão caso tentem dissuadir as crianças de se submeterem a tratamentos irreversíveis de transição de género.
13 Jul 26
Trump deixa instruções para total destruição do Irão, caso seja assassinado, abrindo óbvio caminho para falsa bandeira sionista.
Num recordista exercício de estupidez, que só aumenta o risco sobre a sua própria vida, Donald Trump revelou ter deixado instruções para que os EUA ataquem o Irão caso seja entretanto assassinado, oferecendo a Telavive uma solução óbvia para exterminar o seu inimigo no Golfo.
9 Jul 26
Acusado de corrupção, Nigel Farage demite-se do cargo de deputado para forçar uma eleição intercalar no seu círculo eleitoral.
Acusado de receber apoios financeiros não declarados, o líder do Reform UK afirmou que as investigações sobre os casos estavam a ser instrumentalizadas politicamente e demitiu-se do cargo de deputado, activando novas eleições no seu círculo eleitoral.
9 Jul 26
Audiência preliminar do julgamento de Tyler Robinson sugere caos judicial iminente, nos EUA.
Considerando os primeiros dias da audiência preliminar, o julgamento de Tyler Robinson, o bode sacrificial que o Regime Epstein inventou para o encobrimento da verdade sobre o assassinato de Charlie Kirk, vai correr tão mal como correu a narrativa oficial relativa à ocorrência.







