Os representantes Thomas Massie e Marjorie Taylor Green, acompanhados por algumas das sobreviventes do tráfico de menores para fins de abuso sexual de Jeffrey Epstein.

 

Depois de 10 meses de luta política e encobrimento institucional, avanços e recuos, mentiras e contradições, o Congresso americano votou pela divulgação dos ficheiros Epstein. Os tais que estavam em cima da secretária da Procuradora-Geral Pam Bondi e que logo depois não existiam e que agora, em teoria, vão cair no domínio público.

De facto, e depois da Câmara dos Representares ter votado nesse sentido, o Senado acaba de enviar a Trump um projecto-lei sobre os infames documentos que parece uma vitória daqueles que defendem a transparência do governo federal americano. Os representantes Thomas Massie (R-Ky) e Marjorie Taylor Green (R-Ga), que lutaram estoicamente por este momento e que são em grande parte responsáveis pela incontornável pressão que conduziu ao projecto-lei aprovado ontem à tarde, rejubilaram no X:

 

Mas o ContraCultura será capaz de apostar uma quantidade grande de contos de reis que a história não fica por aqui e que não vamos propriamente ver toda a informação cair na rua assim sem mais nem menos…

O mais provável é que surjam completamente censurados, ou sejam divulgados apenas parcialmente em função de conveniências políticas, ou que nos seja dito que grande parte dos documentos foram entretanto destruídos, ou que o Departamento de Justiça invente rapidamente novos motivos para os manter ocultos.

 

 

Até porque a Procuradora-Geral Pam Bondi recebe autoridade irrestrita para reter ou ocultar praticamente qualquer informação, alegando “segurança nacional” ou investigações em curso. O Congresso exigiu a divulgação no prazo de 30 dias. Mas Bondi decide o que será divulgado. O projecto-lei exige que ela publique as justificações no Diário Oficial da União, mas a “segurança nacional” já ocultou ficheiros antes (como no caso dos documentos da CIA referentes ao assassinato de J. F. Kennedy, por exemplo). Os nomes das vítimas são protegidos. Tudo o resto pode na verdade, e apesar do que Thomas Massie afirma no post em baixo, ser trancado para sempre.

 

 

Muito convenientemente, aliás, Donald Trump anunciou na sexta-feira passada que tinha ordenado ao Departamento de Justiça que iniciasse uma investigação sobre as ligações de democratas proeminentes como Bill Clinton às actividades de Jeffrey Epstein. Ao abrigo desta investigação, Bondi pode ocultar muita informação crítica. Até porque o procurador nomeado para conduzir o processo é Jay Clayton, o homem que Bill Barr, o bicho do pântano que liderou o Departamento de Justiça da primeira administração Trump, desejava para substituir os procuradores que prenderam Epstein (e posteriormente Maxwell).

Porque o pântano não se deixa drenar assim tão facilmente como isso e a unanimidade da Câmara dos Representantes e do Senado no voto pela divulgação dos ficheiros é até muitíssimo suspeita.