Depois de ter negligenciado um dos seus mais leais aliados políticos na Europa, a propósito de um planeado encontro com Putin em Budapeste que não se chegou a realizar, deixando o líder Hungaro completamente pendurado, o presidente dos EUA, Donald J. Trump, disse na sexta-feira que está a considerar conceder à Hungria uma isenção das sanções dos EUA sobre a energia russa.

O anúncio foi feito durante uma reunião na Casa Branca com o primeiro-ministro húngaro, que descreveu o assunto como “vital” para o seu país e alertou para consequências graves caso as restrições fossem implementadas.

A este propósito, Donald Trump referiu:

“Estamos a analisar isto porque é muito difícil para eles obterem petróleo e gás de outras regiões. É um país grande, mas não têm mar, não têm portos. E, portanto, têm um problema difícil”.

Trump elogiou ainda Orbán pelas suas políticas rígidas de fronteiras e imigração, em contraste com a atitude permissiva da União Europeia em relação à imigração em massa, enquanto Orbán elogiou as (imaginárias) conquistas do presidente na política externa, num difícil e criativo exercício de diplomacia.

Numa entrevista anterior a uma rádio húngara, Orbán afirmou:

“Não estou a pedir qualquer tipo de favor aos americanos, nem nada de extraordinário. Estou simplesmente a pedir-lhes que reconheçam que as sanções recentemente impostas à energia russa colocam certos países, como a Hungria, que não têm acesso ao mar, numa situação impossível. Vou pedir ao Presidente que reconheça isso”.

A ver vamos se Donald Trump cede nesta questão, embora não surpreendesse ninguém que se mantivesse indiferente à solicitação do líder húngaro, considerando a ingratidão com que o tem tratado ultimamente e o percurso errático, beligerante e arrogante da sua política externa.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Péter Szijjártó, anunciou durante a visita aos EUA que a Hungria vai assinar um acordo bilateral de cooperação em matéria de energia nuclear com os Estados Unidos. O acordo, negociado com o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, prevê que a Hungria compre pela primeira vez combustível nuclear norte-americano, adopte tecnologia americana para o armazenamento de combustível irradiado na sua central nuclear de Paks e colabore no desenvolvimento de pequenos reactores modulares.

A Hungria importa mais de 80% do seu gás natural e a maior parte do seu petróleo da Rússia. Apesar dos esforços da UE para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis russos, Budapeste tem contestado repetidamente as isenções, argumentando que a sua localização geográfica sem saída para o mar, na fronteira com a Ucrânia, lhe deixa poucas alternativas.

As relações entre a Hungria e a Ucrânia estão tensas após a alegação de Kiev, no início deste ano, de ter descoberto uma rede de espionagem húngara a operar no oeste da Ucrânia, acusação que a Hungria nega. A Ucrânia alberga uma grande minoria étnica húngara na sua região fronteiriça da Transcarpátia, e Budapeste queixa-se frequentemente de que Kiev maltrata e negligencia essa comunidade.