O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, partilhou imagens suas ao lado do chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrski, com uma bandeira a exibir um símbolo das Waffen-SS em segundo plano. O vídeo, publicado na conta oficial de Zelensky, no X, a 4 de Novembro, mostra a dupla a entregar medalhas no posto de comando da 4ª Brigada Operacional da Unidade de Segurança Nacional “Rubizh”. A bandeira, que pode ser vista aos 26 segundos do vídeo, ostenta o símbolo Wolfsangel (gancho de lobo), associado à Brigada Azov da Ucrânia, à Divisão Waffen-SS do Reich e a outras unidades leais a Adolf Hitler.

Na sua publicação no X, Zelensky escreveu:

“Concedi honras de Estado aos guerreiros. Agradeço a cada um pelo seu serviço, por protegerem o nosso Estado. Cuidem-se e cuidem dos vossos irmãos de armas. Isso é o mais importante. Acreditamos nos nossos defensores.”

 

 

Nos últimos anos, as autoridades e instituições ucranianas têm enfrentado controvérsias várias, devido aos esforços para homenagear figuras ligadas à colaboração nazi durante a Segunda Guerra Mundial. A Câmara Municipal de Kiev chegou a ponderar dar o nome de Volodymyr Kubiyovych a uma rua, figura importante durante a guerra e um dos responsáveis ​​pela formação da 14ª Divisão de Granadeiros Waffen SS, que jurou lealdade a Hitler.

As unidades militares neonazis, como a Brigada Azov, também atraíram a atenção internacional. Formada em 2014 como uma unidade de voluntários, a Azov foi posteriormente integrada na Guarda Nacional da Ucrânia, mas manteve o seu emblema Wolfsangel. O comandante fundador do batalhão, Andriy Biletsky, também foi citado a defender as crenças supremacistas brancas. Apesar deste historial, o regime Biden autorizou a formação sucessora da Azov a receber armamento americano.

As plataformas de rede social também flexibilizaram as suas regras em relação à Azov. A Meta, empresa-mãe do Facebook, reverteu a sua anterior proibição de elogiar a Azov em 2022, permitindo publicações que se referissem especificamente ao papel do grupo na defesa da Ucrânia.

A controvérsia estendeu-se também para além da Ucrânia. Em 2023, o Parlamento do Canadá aplaudiu de pé Yaroslav Hunka, um veterano de 98 anos da divisão SS Galícia, durante a visita de Zelensky a Otava. A revelação da ligação de Hunka às forças nazis provocou a indignação generalizada e um pedido oficial de desculpas por parte dos dirigentes canadianos.