Instrutores da Força Aérea Indiana (IAF) vão ser contratados para treinar cadetes da Royal Air Force (RAF) para pilotar jactos Hawk T2 na Grã-Bretanha, a partir de Outubro de 2026. Esta estranhíssima e humilhante iniciativa faz parte de um novo acordo de defesa entre o governo britânico e a Índia, com o objectivo de reforçar a cooperação militar entre os dois países. Pelo menos dois pilotos da IAF vão estar destacados no base da RAF no norte do País de Gales, durante mais de três anos.

Será de sublinhar que os instrutores indianos devem completar um programa de formação de um ano para se familiarizarem com as aeronaves e os procedimentos da RAF, sugerindo que os pilotos britânicos poderiam perfeitamente ter sido treinados para estas funções.

Um antigo oficial da RAF comentou o estranho programa nestes termos:

“Os indianos são muito bons e tenho a certeza de que darão um contributo valioso para o nosso treino de voo, mas… é irónico que tenhamos treinado o mundo para voar, mas nem sequer conseguimos treinar os nossos hoje em dia.”

Está para além de ser irónico, na verdade.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou o acordo durante a recente visita de Keir Starmer a Bombaim. Destacando a importância da colaboração, Modi afirmou:

“O dinamismo da Índia e a peritagem do Reino Unido combinam-se para criar uma sinergia única. A nossa parceria é fiável, baseada no talento e na tecnologia.”

Mas a parceria será porventura mais baseada no suicídio a que o estabelecimento britânico está a sujeitar toda e qualquer das mais elevadas tradições britânicas.

Este acordo segue-se a várias medidas anteriores tomadas, alegadamente, para aprofundar os laços de defesa entre o Reino Unido e a Índia. Foi recentemente assinado um contrato de 350 milhões de libras (~470 milhões de euros) em mísseis de fabrico britânico que serão entregues ao Exército Indiano, e o porta-aviões HMS Prince of Wales da Marinha Real Britânica realizou exercícios conjuntos com as forças indianas. O Alto Comissário (Embaixador) britânico na Índia, Lindy Cameron, descreveu a crescente parceria como uma “prioridade máxima” para o Reino Unido, citando a crescente influência económica e estratégica da Índia.

A RAF, que recentemente enfrentou desafios nos seus programas de formação de pilotos, enviou cadetes para os Estados Unidos e Itália em 2023 devido à escassez de instrutores e aeronaves Hawk T2. Isto acontece numa altura em que a instituição militar está sob escrutínio pelas suas políticas internas, com um relatório de 2023 a revelar que tinha discriminado ilegalmente homens brancos nos seus esforços de recrutamento.

Além disso, a RAF proibiu o uso do cognome “Crusaders” em algumas das suas unidades, por receio de que pudesse ser ofensivo para os muçulmanos.

Numa altura em que a India está cada vez mais alinhada com o BRICS e com a China e a Rússia, não deixa de ser cómico que Starmer, russofóbico até à raiz profunda da sua máxima estupidez, queira formar pilotos indianos em caças britânicos, para treinar pilotos britânicos…

Faz sentido, num mundo que não faz sentido nenhum.