Definitly Maybe – Oasis

Bom deus, chegou a hora dos Oasis e que dizer dos insuportáveis e geniais irmãos Gallagher? Entre um e outro que venha o diabo e escolha os dois, por gentileza. Ainda assim, é justo dizer que o rock and roll só ganhou com este cabotino e dinâmico duo. Enquanto a guitarra do mano mais velho debitava uma enciclopédia de riffs eternos, o Gallagher mais novo mantinha relações sexuais com o microfone. E foi assim que fizeram história.
“Definitely Maybe”, o primeiro longa duração da infame banda de Manchester, é o meu preferido porque ainda consegue transportar alguma inocência – e um bocadinho de ruído de garagem – que os outros 6 posteriores trabalhos de estúdio vão assassinando progressivamente. E é difícil, para quem gosta de rock, permanecer insensível ao poder de canções exuberantes e virtuosas como “Supersonic”, “Live Forever” ou “Slide Away”. Estou a ouvi-las agora e convenhamos: mantêm um balanço danado.

 

The Great Escape – Blur

Há quem possa argumentar – e bem – que o álbum de referência dos Blur será “Leisure”, o primeiro longa-duração da banda de Londres, de 1991. Mas para mim, o disco-bomba do célebre agrupamento de Londres só explode em 1995 e chama-se “The Great Escape”. Com um punhado de grandes temas, de que destaco, claro, o épico “The Universal”, este é o momento em que Damon Albarn e Graham Coxon, já sem terem que provar nada a ninguém (os 3 discos anteriores tinham sido extremamente bem sucedidos junto do público e da crítica), fazem colidir os respectivos e abundantes talentos de forma mais harmoniosa e criativa. É, aliás, precisamente a partir daqui que os Blur assumem um percurso que sai claramente do cânone do britpop/indie rock do início dos anos 90, para fazerem o seu personificado e alternativo caminho, que culminará décadas mais tarde, com tesouros desalinhados e complexos como “Think Tank” de 2003, ou mesmo “The Magic Whip” de 2015.
E se os Blur são uma banda icónica, não é de certeza por acaso: ao longo do seu percurso de 30 anos, inventaram e reinventaram. Arriscaram e ganharam. Arriscaram e perderam. Souberam parar para pensar. Souberam entrar e sair de outros projectos (dos quais o mais conhecido e aclamado talvez seja os Gorillaz de Damon Alborn); fazendo e refazendo a carreira de acordo com tendências e contra-tendências, e de tal forma que foram sobrevivendo à dimensão cósmica a que é mais difícil sobreviver: o tempo.
Estou a ouvi-los enquanto escrevo estas linhas e tudo me parece contemporâneo, na verdade. Tudo resistiu extremamente bem ao devastador correr das modas e das eras.
E isto não é dizer pouco.

 

Second Coming – The Stone Roses  

Os colossais The Stone Roses só conseguiram editar dois longa duração de estúdio: um em 1989, outro em 1994. Bastante diferentes, por acaso, mas não em vigor criativo. Se em 89 já eram completamente a encarnação do triunfo de Manchester e do indie pop que ia ser consagrado logo a seguir, em 94 parecem regressar a um sonho feliz com Led Zeppellin dentro de uma discoteca ou coisa que o valha. A confiar no meu ouvido infiel, é com “Second Coming” que a banda realmente atinge o inatingível nirvana das pedras ganzadas.
Quero deixar aqui bem claro um protesto: The Stone Roses são um bocado mal tratados pela história do Rock. Este disco cujos fundamentos estéticos agora defendo é uma obra prima. Mas parece que disparou rumo a Júpiter. Bomba atómica espoletada no deserto, já ninguém se lembra dela e há muita gente que nunca a chegou a ouvir. E há muita gente que a ouviu, mas não como a explosiva solução de hidrogénio deve ser ouvida.
The Stone Roses. O nome diz tudo, mais uma vez, e oiçam, por gentileza e com ouvidos de ouvir, o clássico, interminável e belíssimo riff de guitarra eléctrica em “Love Spreads”, o tema que deixo como uma caixa de Pandora, para vossa perdição.
Depois digam lá se é ou não um momento de transcendência, aquele com que John Squire tem a cortesia de vos presentear, ò malta.

 

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