As Forças Armadas da Ucrânia estão a enfrentar um aumento acentuado das deserções, segundo dados da Procuradoria-Geral da Ucrânia.
Os meios de comunicação locais relatam um aumento do número de soldados ucranianos que abandonam as suas unidades, temporária ou permanentemente. Os dados mostram entre 14.000 e 18.000 casos de abandono temporário não autorizado por mês. Em Maio do ano passado, foram registados 18.000 casos, um recorde, e em Setembro, 17.000 militares abandonaram as suas unidades sem autorização.
Desde o início da guerra, foram instaurados 231.500 processos por deserção temporária e 53.200 por deserção permanente.
Perante a situação, a Ucrânia está a considerar penas mais severas para a deserção, segundo uma notícia do jornal Do Rzezcy.
Só este ano, como sublinha o deputado Oleksiy Honcharenko, o número de processos-crime envolvendo desertores aumentou quase cinco vezes e pode chegar aos 300.000.
Até 30 de Agosto, estava em vigor um programa especial que permitia aos tropas regressar voluntariamente sem consequências. Mais de 21.000 soldados beneficiaram dessa amnistia.
Actualmente, o Verkhovna Rada (Parlamento ucraniano) está a considerar restabelecer a responsabilização criminal integral para qualquer pessoa que abandone o exército. Segundo os representantes da Guarda Nacional de Azov, as razões para as deserções incluem a incompetência de alguns oficiais, a falta de rotatividade e de licenças, que impede os soldados de descansar e de contactar as suas famílias, condições de serviço insuportáveis, incluindo perseguição interna, escassez catastrófica de mantimentos e o envio de soldados para os chamados “trituradores de carne”, investidas frontais que acarretam perdas massivas.
Em 2024, a deputada ucraniana Anna Skorokhod já tinha confessado que mais de 100.000 soldados ucranianos tinham desertado desde o início do conflito com a Rússia.
Em Janeiro deste ano, ficámos a saber que cerca de 1.700 soldados de uma unidade ucraniana treinada em França e equipada com equipamento militar ocidental, ausentaram-se sem licença antes de terem participado em qualquer batalha.
As deserções ocorrem tanto na linha da frente como nas bases de retaguarda, com alguns soldados a não regressarem de tratamentos médicos ou licenças.
Os relatórios dos meios de comunicação social indicam também que os prisioneiros de guerra libertados pelos russos são enviados à força directamente para a linha da frente — muitas vezes algemados.
A circunstância ocorre num momento em que o regime Zelensky mostra cada vez mais dificuldades em recrutar soldados para alimentar as necessidades operacionais na frente de guerra.
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