USS Gerald Ford . Wikipedia

 

Os Estados Unidos continuam a reforçar os seus recursos navais nas proximidades da Venezuela. Imagens de satélite recentes mostram o USS Iwo Jima — um navio de assalto anfíbio da classe Wasp — e o USS Gravely — um contratorpedeiro de mísseis guiados Aegis da classe Arleigh Burke (Flight IIA) — a entrar no alcance de ataque do país sul-americano. A movimentação ocorre numa altura em que o Grupo de Ataque do Porta-Aviões USS Gerald Ford deverá entrar em breve nas Caraíbas, alargando significativamente as capacidades militares dos EUA na região.

A narrativa oficial é que os EUA estão a intensificar os ataques contra barcos de tráfico de droga operados por cartéis, e que agora se preparam para uma nova fase contra as organizações de tráfico de droga e o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Mas, como o ContraCultura já sublinhou, a operação militar na Venezuela que o regime Trump está a preparar não tem nada que ver com tráfico de drogas e tem tudo a ver com poder, imperialismo e geopolítica.

Segundo novos relatos, as forças armadas dos EUA iniciarão em breve ataques contra instalações militares venezuelanas, que alegadamente servem de bases operacionais para o cartel de droga Soles, supostamente ligado a Maduro. Acredita-se que os ataques poderão começar numa questão de dias, sinalizando provavelmente a chegada do porta-aviões USS Gerald Ford, o maior navio de guerra alguma vez construído.

Imagens dos satélites Sentinel-2 da ESA mostram o USS Iwo Jima e o seu contratorpedeiro de escolta da classe Arleigh Burke a navegar para oeste após terem sido avistados na costa de Granada nos últimos dias. Os navios de guerra estão agora a aproximadamente 200 quilómetros da Ilha de La Orchila, na Venezuela, onde se encontra uma das principais bases aéreas e instalações de radar do país. A sua aproximação coloca-os dentro do alcance operacional imediato para missões anfíbias ou de ataque de precisão, intensificando a pressão sobre Caracas à medida que as tensões regionais aumentam.

Os prováveis ataques aéreos contra o território continental venezuelano deverão ocorrer em várias vagas, com caças F-35 lançados tanto a partir de Porto Rico como a partir do convés de voo do USS Ford. Além disso, os recursos não identificados provenientes de Curaçau — uma ilha a cerca de 65 quilómetros da costa da Venezuela — também estarão provavelmente envolvidos. Vários voos militares dos EUA foram utilizados para enviar um contingente não identificado para a ilha nas últimas semanas.

No centro desta operação, o USS Iwo Jima transporta mais de 1.600 fuzileiros navais da 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais (SOC). Embarcado com os navios de transporte anfíbio USS San Antonio e USS Fort Lauderdale, o grupo traz aeronaves avançadas, incluindo AV-8B Harriers, AH-1Z Vipers e MV-22 Ospreys. Estas características permitem assaltos anfíbios, ataques de precisão e operações de resposta rápida em todo o teatro de operações das Caraíbas.

As forças armadas dos EUA já mobilizaram mais de 10.000 militares nas Caraíbas, com recursos adicionais como a Ala Aérea Embarcada 8 a bordo do USS Gerald R. Ford e seis contratorpedeiros da classe Arleigh Burke, incluindo o Gravely, armados com mísseis Tomahawk.

O senador norte-americano Rick Scott (republicano da Florida) declarou no início desta semana:

“Se eu fosse Maduro, iria já para a Rússia ou para a China”.

Porque trata-se aqui, factualmente, de mais uma operação de mudança de regime, que permita aos EUA contrariar a influência chinesa e russa na América do Sul e aceder às reservas e às explorações petrolíferas da Venezuela.

Se o ataque se concretizar, este será o quinto cenário de guerra em que o ‘presidente da paz’ se envolve directa ou indirectamente, em apenas 10 meses de mandato, a saber: Iémen, Irão, Gaza, Ucrânia e Venezuela.