Muitas das figuras mais sinistras da direita neocon americana reuniram-se em Las Vegas no fim de semana passado, para a cimeira da Coligação Judaica Republicana. Entre outras avestruzes com ambições à falcoaria, falamos de Randy Fine, Douglas Murray, Mark Levin e Lindsey Graham.
Qualquer pessoa que acompanhe as notícias sabe a que país este quarteto é leal, mas eis uma dica: não são leais aos Estados Unidos da América. É por isso que vivem a dar lições sobre como os americanos devem enviar os seus jovens adultos para morrer a combater na Síria, no Irão, no Iémen, no Iraque ou em qualquer outro lugar que Benjamin Netanyahu considere indesejável.
O que é menos reconhecido é que Israel não é a única razão pela qual estes lunáticos anseiam pela guerra. A sua fúria vai para além da geopolítica ou das contribuições de campanha. Tem a ver com poder. O senador Graham sublinhou essa motivação quando no seu discurso de sábado, disse isto:
“Estou confiante no Partido Republicano. Estou confiante no rumo que estamos a tomar como nação. Estamos a matar as pessoas certas… Até ficámos sem bombas. Não ficámos sem bombas na Segunda Guerra Mundial!”
Quando Lindsey Graham pensa no que está a funcionar bem nos Estados Unidos, a primeira coisa que lhe vem à cabeça é que a federação está a bombardear tanta gente que o arsenal precisa de ser reabastecido. Quanto mais sangue, melhor. Estimativas conservadoras dizem que os EUA mataram 2 milhões de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial, e o legislador da Carolina do Sul está eufórico com a ideia de que não só é possível como é recomendável matar ainda mais gente.
E confiar neste pederasta para determinar quem são afinal essas “pessoas certas” que está alegremente a condenar à morte é o mesmo que legar o destino da humanidade aos caprichos de Bill Gates.
Só de pensar que este homem foi eleito por mais de 317 mil eleitores do estado da Carolina do Sul, ficamos com uma ideia do pesadelo tenebroso que constitui a América contemporânea.
Mas qual a origem da sede de sangue de Graham? Mais uma vez, o lobby israelita pesa na equação, mas isso não explica este nível de loucura genocida. Algo mais malicioso, se possível, está aqui em jogo.
Murray, Levin, Graham e muitos outros membros deste cartel de terroristas explícitos têm algo em comum: um vazio nas suas vidas privadas e uma vontade cega de acumular poder. E não há maior poder do que a capacidade de brincar aos Deuses da guerra. Iniciar conflitos e lançar bombas sobre pessoas em lugares distantes é uma excelente forma de o fazer. Faz com que Graham e os seus jihadistas, todos eles na verdade meios homens, se sintam verdadeiros alfa de formas que, muito provavelmente, nunca conseguiriam no seu tempo livre, se é que dispensam algum tempo para actividades menos nefastas.
Mas será que Lindsey Graham deveria mesmo ter permissão para utilizar a política externa americana como instrumento terapêutico para compensar o facto de ser um mal amado e solitário e efeminado badocha, que se borraria todo à primeira granada que explodisse a um quilómetro de distância do seu gabinete no Congresso? Claro que não. Ele precisa claramente de ajuda, mas a responsabilidade de reparar a sua autoconfiança abalada e a sua mente perversa não deve recair sobre as Forças Armadas dos Estados Unidos ou sobre os incontáveis inocentes que as Forças Armadas dos Estados Unidos têm por hábito chacinar.
Num mundo normal, Lindsey e os seus camaradas deviam ser internados num hospício para psicopatas de colarinho branco. Mas, pensando bem, essa até é uma boa definição do Capitólio. Ou seja: não há nada a fazer a não ser perceber que os EUA são uma ameaça, a primeira, à paz mundial. E à dignidade humana.
É por essa conclusão que devemos começar, se quisermos livrar-nos de boa parte dos males que assolam este mundo.
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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