
O director do FBI, Kash Patel, frustrou os esforços do conselheiro mais próximo de Tulsi Gabbard, a Directora de Inteligência da Administração Trump, para investigar se uma potência estrangeira esteve ou não envolvida no assassinato de Charlie Kirk.
O responsável do Centro de Contraterrorismo do governo federal dos EUA, Joe Kent, analisou os ficheiros do FBI e de outras agências de informação e segurança, para determinar se o alegado assassino de Kirk recebeu assistência de serviços secretos de outros países.
A investigação de Kent alarmou Patel, que considera que o chefe da unidade antiterrorista estava a extrapolar os seus poderes ao interferir numa investigação em curso do FBI. Mas fontes ligadas ao gabinete de Kent afirmam que este estava apenas a fazer o seu trabalho ao investigar todas as pistas para garantir que nenhuma organização estrangeira esteve envolvida na morte de Kirk.
Kirk foi alegadamente baleado na garganta por uma espingarda de precisão de alta potência enquanto discursava perante estudantes universitários na Universidade Utah Valley, no dia 10 de Setembro. Tyler Robinson, de 22 anos, foi acusado do homicídio e enfrenta agora a pena de morte, caso seja considerado culpado.
Depois do director do FBI ter descoberto que Kent tinha acedido a material do FBI relacionado com o assassinato de Kirk, foi realizada uma tensa reunião na Casa Branca para discutir o assunto, que contou com a presença de Patel, Kent, Gabbard, o vice-presidente JD Vance, a chefe de gabinete de Donald Trump, Susie Wilies, e altos funcionários do Departamento de Justiça.
Kent disse aos presentes que obteve acesso aos ficheiros do FBI através de um funcionário de baixo escalão da agência. Na reunião, Patel manifestou-se veementemente contra os esforços do Centro de Contraterrorismo para apurar o possível envolvimento de potências estrangeiras no assassinato de Charlie Kirk, mas os ânimos estavam de tal forma acesos que a reunião não chegou a ser conclusiva.
Porém, Patel é capaz de ter sido bem sucedido nos seus esforços de cancelar a investigação do Centro Nacional de Contraterrorismo, já que a Casa Branca e o Departamento de Justiça argumentaram que a investigação de Kent sobre a interferência estrangeira poderia fornecer munições aos advogados de defesa de Robinson, para argumentarem em tribunal que mais do que um suspeito esteva envolvido no assassinato de Kirk.
O FBI e o Departamento de Justiça controlam rigorosamente as provas em investigações e processos criminais em curso. Mas sob a direção de Kent, o Centro de Contraterrorismo recolheu material de outras agências de informação sobre possíveis ligações estrangeiras a Robinson, além de avaliar qualquer possível financiamento estrangeiro de indivíduos associados a grupos de esquerda, como a Antifa.
Numa necessariamente pacificadora e por isso falaciosa declaração conjunta, emitida depois da tensa reunião na Casa Branca, Patel e Gabbard afirmaram:
“O FBI e a comunidade de inteligência, sob a direcção do presidente Trump, não deixarão pedra sobre pedra na investigação do assassinato do nosso amigo, Charlie Kirk.”
Isto deve ter custado horrores a Gabbard, porque o FBI está a deixar muitas, mas mesmo muitas pedras por levantar, em todo o processo que irá culminar com a provável condenação de um típico bode expiatório.
Aparentemente, as tensões em relação ao trabalho de Kent persistiam há algum tempo e referem-se a um conjunto mais vasto de problemas entre o seu gabinete e outras agências da administração.
Joe Kent foi confirmado para liderar o Centro de Contraterrorismo em Julho, onde desde então se tem concentrado em desmantelar células e cartéis de narcoterrorismo. Antes de se juntar à administração Trump, Kent concorreu sem sucesso ao Congresso em 2022 e 2024, apresentando-se como um leal apoiante MAGA. O antigo funcionário da CIA e veterano das Forças Especiais do Exército (Boinas Verdes) é conhecido pelas suas convicções que favorecem um política externa não intervencionista, e firmes posições contra o complexo militar-industrial americano, sendo também um céptico do apoio incondicional dos EUA a Israel.
À luz destes acontecimentos será porventura pertinente questionar a posição do FBI nesta matéria: se a investigação que desenvolveu sobre o assassinato de Charlie Kirk é sólida e a agência não tem nada a esconder, porque raio se mostrou tão empenhada em fechar rapidamente a inquirição da Direcção Nacional de Inteligência? Qualquer conclusão a que esta investigação chegasse só seria fortalecedora do caso do Departamento de Justiça. E mesmo que Kent descobrisse algo que o FBI deixou passar (o que muito provavelmente aconteceu), isso também seria sempre positivo, mesmo que ajudasse a defesa de Robinson, porque a lei e a justiça devem basear-se na verdade, e não num objectivo político predefinido, certo?
Mas como qualquer pessoa que esteja atenta às circunstâncias do assassinato de Charlie Kirk já percebeu, a narrativa oficial é de tal forma inconsistente que o FBI e o Departamento de Justiça têm de facto muito a temer, se o seu frágil e corrupto labor for sujeito a rigoroso escrutínio.
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