A dívida bruta do governo federal dos EUA ultrapassou os 38 triliões de dólares na quarta-feira, marcando um recorde histórico. Esta rápida acumulação de dívida é a mais dramática desde o fim da pandemia COVID-19, já que só entre Agosto e Outubro o país acrescentou mais um trilião de dólares ao seu passivo.
O mais recente relatório do Departamento do Tesouro, que detalha a situação financeira diária do país, destaca o aumento da dívida e as suas implicações a longo prazo, com custos de endividamento cada vez mais elevados.
Salientando que os pagamentos de juros, por si só, deverão subir de 4 biliões de dólares na última década para 14 biliões de dólares nos próximos dez anos, Michael Peterson, presidente e CEO da Fundação Peter G. Peterson, afirmou numa entrevista recente:
“Juntamente com o aumento da dívida, temos custos de juros mais elevados, que são agora a parte do orçamento que cresce mais rapidamente.”
Sendo que o produto interno bruto dos EUA é de 29,18 triliões de dólares, a dívida pública americana é agora 25% superior ao PIB. O cenário é sombrio e toda a gente sabe que um dia estas bomba relógio vai necessariamente rebentar e que esse rebentamento terá consequências globais devastadoras, especialmente catastróficas para o Ocidente. Ou seja: a irresponsabilidade das elites políticas americanas não compromete apenas o futuro dos americanos.
Apesar da propaganda constante, com anúncio continuado de cortes e poupanças que geralmente se mostram inconsequentes ou insignificantes, a administração Trump tem ajudado ao festim despesista, que só vai ganhar intensidade com o desenrolar da Big Beautiful Bill, tão cara ao actual presidente como onerosa para os contribuintes americanos. Entre os vários eixos gastadores dessa lei orçamental, destaca-se a intenção da Casa Branca de entregar um trilião de dólares por ano ao Pentágono, uma instituição que consome dólares como se não houvesse amanhã, mas que é inauditável já há oito anos consecutivos, ou seja: ninguém consegue perceber para onde vai o dinheiro.
A ironia desta notícia é que, mesmo com a administração pública paralisada, dado o impasse verificado no Congresso relativamente à aprovação do orçamento anual, o Estado norte-americano continua a endividar-se a um ritmo alucinante.
Imaginem se a máquina estivesse a funcionar ao seu ritmo normal.
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