Como o Contra tem vindo a alertar, o segundo mandato de Donald Trump foi vampirizado por neoconservadores e sionistas e outros insectos do pântano de Washington e tem consistido numa traição aos princípios que o reelegeram, de tal forma que o espírito MAGA resume-se hoje à actividade essencialmente retórica de uma facção irredutível que foi arredada do poder e que não parece ter grande influência na Sala Oval, sendo que Tucker Carlson é um bom exemplo das figuras de alto perfil que constituem essa facção, fiel aos princípios fundamentais do populismo americano.
Para além de incluir uma conversa com Marjorie Taylor Green, que é das poucas congressistas que permanece consistente com esses princípios e que merece sempre a nossa atenção, o podcast partilhado no fim deste texto integra um monólogo de Carlson que define os pilares do movimento MAGA, e expõe o flagrante desvio de Trump em relação a esses eixos ideológicos, comparando até a circunstância com a moral da história do Triunfo dos Porcos, de George Orwell.
De acordo com o jornalista norte-americano, os cinco pilares MAGA são os seguintes:
– America First – Os líderes políticos da federação devem, obviamente, representar e defender exclusiva ou prioritariamente os interesses dos cidadãos que os elegeram.
– Segurança fronteiriça – Nenhuma nação está segura sem fronteiras seguras. É por isso dever primeiro de qualquer liderança política conservar íntegro o território da nação que dirige.
– Fim das guerras eternas – Nenhuma guerra que não seja de legítima defesa defende os interesses dos EUA ou dos seus cidadãos.
– Criação de emprego dirigido à população nativa – Qualquer conceito básico de prosperidade nacional passa por mobilizar a sua população activa através de políticas de emprego qualificadas e da captação do investimento industrial para projectos nacionais, contrariando as tendências globalistas das elites instituídas em Washington e a volição transhumanista do eixo Wall Street / Silicon Valley.
– Liberdade de expressão – Não há democracia num ambiente mediático que restrinja o discurso, não há república sem debate, não há cidadania sem liberdade de opinião, ponto final, parágrafo.
Todos estes pontos foram claramente defendidos como prioridades na campanha eleitoral que levou Trump ao regresso à Casa Branca. Todos foram entretanto traídos, esquecidos ou secundarizados, a partir do dia em que tomou posse.
Este é um momento que é consolador para o ContraCultura, que tem tentado denunciar esse desvio, sem ser bem compreendido até pela sua audiência.
A companhia do Tucker Carlson, neste contexto, é muito bem-vinda.
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