A ideia de nicho de mercado está a ser levada a um limite woke por esta companhia espanhola que opera no nosso país sob a nomenclatura Plenitude Portugal.

A Plenitude objectiva a distribuição e comercialização de electricidade a casais homossexuais e, preferencialmente, a casais homossexuais racialmente interseccionados.

Senão, vejamos os dois comerciais que a empresa produziu e está a veicular:

 

 

Considerando que a percentagem de homossexuais entre a população portuguesa será alegadamente de 7%, entende-se, no estrito âmbito do marketing, que a Plenitude, à falta de outros argumentos e virtudes do seu serviço, tenha decidido atacar este alvo, embora se perceba também que os seus objectivos de quota de mercado são deveras modestos.

Mas no estrito âmbito ético, a coisa muda de figura. E porquê?

Porque a mensagem que passa através desta filosofia de casting é absolutamente equívoca: a distribuição eléctrica e a opção sexual dos consumidores de electricidade não são variáveis compagináveis ou interactuantes, ou seja: se eu for heterossexual ou homossexual, a companhia que me liga à rede eléctrica nacional não presta um melhor ou um pior serviço por causa disso. Uma rapariga branca que viva com uma rapariga negra não tem uma melhor relação preço/watt a propósito da sua união de facto. Os dois homens do primeiro comercial não têm melhor atendimento ao cliente, nem escapam aos apagões, por serem casados.

Até porque e por absurdo, para que isso acontecesse, a empresa tinha que perguntar aos clientes pela sua orientação sexual, e discriminar a qualidade do seu serviço em função desses dados, o que é, até ver, flagrantemente inconstitucional.

Portanto: o que a Plenitude está a vender nestes comerciais não tem nada a ver com o serviço que presta. É apenas pose, ideologia, lavagem de cérebros, normalização da excepção, anúncio de falsas virtudes.

E digo falsas, porque ninguém é mais virtuoso ou menos virtuoso por causa das suas preferências de cama. E porque nenhuma empresa presta melhor ou pior serviço por fazer mercado com essas preferências.

A Plenitude é um embuste woke. E como tal devia ser tratada pelos consumidores portugueses, independentemente das particularidades da sua vida privada.

 

Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura