A ex-executiva do Facebook, Julie Zhou, alertou para o facto de que grande parte do crescimento da indústria da tecnologia de inteligência artificial (IA) não está a ser impulsionado por estratégias de negócio robustas baseadas em dados, mas sim por “bons instintos e boas vibrações”. Em entrevista ao podcaster do sector tecnológico Lenny Rachitsky, Zhou defendeu que, embora a indústria da IA ​​seja tremendamente promissora, ainda está longe de alcançar o que muitos prometem. Isto deixou o sector da tecnologia de IA repleto de investimentos especulativos a uma escala que poderá ameaçar a economia dos EUA, caso a bolha rebente.

A este propósito, Zhou argumentou:

“Não creio que muitas das empresas de crescimento rápido estejam a utilizar bem os dados neste momento. E a principal razão para isso é porque, tradicionalmente, as coisas simplesmente não crescem tão rapidamente.”

A ex-vice-presidente de design de produto do Facebook, que investe fortemente na indústria de IA, continuou:

“Hoje, vemos empresas a crescer de forma descontrolada, e ainda têm cerca de dez pessoas, ou duas pessoas, ou quantas pessoas forem, mas têm centenas de milhões em receitas e centenas de milhões de utilizadores, e não têm toda esta infraestrutura… para conseguir fazer a análise de dados.”

Fazendo eco da cautela semelhante dos analistas económicos que observam que algumas empresas de IA já estão a observar uma desaceleração do crescimento, Zhou alertou:

“Na minha opinião, os dados ajudam-nos a reflectir sobre a realidade… o que acontece sempre é que, eventualmente, as coisas param de crescer. O crescimento não acontece para sempre. E, geralmente, quando o crescimento para, todos se perguntam: ‘o que está a acontecer, o que aconteceu?’”

Acontece que muitas destas empresas são apoiadas por centenas de milhões de dólares em capital de risco e investimentos do sector bancário, o que poderá deixar os investidores sobre-alavancados numa bolha do sector da IA.

Mais de 33 startups de IA sediadas nos EUA angariaram 100 milhões de dólares ou mais só em 2025, embora nenhuma delas tenha ainda obtido lucro ou demonstrado viabilidade de mercado. Muitas destas startups, juntamente com empresas mais consolidadas, dependem da tecnologia de líderes do sector, como a Nvidia — que representa quase 10% do S&P 500. Caso uma possível bolha de IA rebente, o impacto poderá ter consequências graves para os mercados americanos e globais.

Como o Contra já tinha previsto em Agosto de 2024, está a tornar-se cada vez mais claro que tanto o optimismo financeiro como o pessimismo apocalíptico em torno da inteligência artificial têm sido algo exagerados.

Num clip publicado em Setembro, Sabine Hossenfelder manifesta também sérias dúvidas sobre o potencial de curto prazo das tecnologias de Inteligência artificial e aponta cinco sinais de que a bolha pode rebentar em breve.