O ContraCultura teve o prazer de colaborar com o Canal do Pedro Bastos na criação do guião que deu origem a este filme, que, evocando a nostalgia Top Gear, faz o elogio do Audi RS4 B7 Avant 2006, um automóvel concebido e construído numa era em que a indústria automóvel ainda nutria alguma paixão pelos produtos que colocava no mercado.

Agradecendo esta oportunidade de trabalhar para aquele que será o mais notável canal independente dedicado aos automóveis, em Portugal, deixamos aqui o vídeo (nomeado pelo International Motor Film Awards para a categoria de melhor produção independente) e uma versão em português do script.

 

 

Um regresso à glória pela montanha acima.

Não era suposto ser assim.

Os fabricantes de automóveis não deveriam ter sido transformados em mestres de código.

A indústria automóvel cria agora aplicações. Os carros são plataformas de software e os condutores foram relegados a utilizadores.

Ecrãs tácteis, painéis de instrumentos, tablets, CPUs, controlo de tração assistido por IA, tudo digital. Tornámo-nos robôs ao volante.

“Mas isto… Isto é um animal completamente diferente.”

420 cavalos de potência numa carrinha. Uma pura fera analógica. Sem código, sem aplicações, sem inteligência artificial, sem truques digitais. Apenas o homem, a máquina e a crua combustão interna.

O animal tem uma alma, mas não tens a certeza se com ela estás a subir ao céu ou a cair no inferno.

O Audi RS4 B7 Avant 2006. Aclamado unanimemente como o auge da linhagem RS4. Sob o capot, um V8 de 4,2 L naturalmente aspirado que grita até às 8.250 RPM. Dos 0 aos 100 km/h em apenas 4,6 segundos. É um foguete disfarçado. Um último triunfo glorioso da era da combustão interna.

A caixa manual de seis velocidades, a última alguma vez instalada num RS4, é um pecado que vale a pena saborear. As mudanças caem com fúria mecânica, alimentando a insaciável fome de altas do V8. É extremamente rápido e sem filtros, como um animal selvagem.

Sentes a estrada como a textura da pele sob as pontas dos dedos. Atacas as curvas como se estivesses a conduzir um GT3 RS, não um carro familiar de 4,6 metros de comprimento. Compacto, honesto, mas brutal, é para conduzir como se estivesses a fugir do apocalipse.

Este carro é uma declaração. A Audi a gritar para o mundo: Sim, podes parecer civilizado, prático, conservador, mas ainda assim obliterar o Nurburgring.

A engenharia é impecável. Tração integral Quattro. Cada elemento ajustado com um propósito. É confortável, preciso, confiante, sofisticado, mas subliminarmente perigoso. E o som: uma sinfonia mecânica, composta para os apaixonados por carros e tocada no volume máximo.

A sensação de potência é inebriante, bombeando sangue para os centros de prazer do cérebro. Embora esta máquina tenha sido construída para agitar a tua alma, é cerebral e técnica, emocional e apaixonada. Não é apenas um carro, é material de lenda.

Eis o auge de uma era. Conquistas o topo e sentes-te como o Senhor dos Anéis.

“Depois disto, sinto-me realmente como o rei da montanha.”