Democratas e republicanos do Congresso ainda não se entenderam sobre o orçamento 2025/2026 e a administração federal dos Estados Unidos da América está paralisada desde a semana passada.
E por que é que os democratas se recusam a aprovar o orçamento? Será porque a administração Trump quer despejar um trilião de dólares numa instituição – o Pentágono – que é inauditável e que gasta quantias abissais de dinheiro sem que ninguém consiga saber como, onde ou porquê?
Não.
Será porque a Big Beautiful Bill de Donad Trump vai aumentar a já insustentável dívida pública americana, reforçando ainda mais o papel do Estado na sociedade e condenando a as expectativas de prosperidade futura dos cidadãos da federação?
Não.
Será porque uns muitos biliões desses dólares irão parar às mãos do regime Netanyahu, contribuindo activamente para o genocídio em Gaza e os conflitos perpétuos no Médio Oriente?
Também não.
Será porque uma fatia desse dinheiro vai intensificar dramática e perigosamente a guerra na Ucrânia, financiar um novo ataque ao Irão ou patrocinar uma mudança de regime na Venezuela?
Outro não.
A administração federal vai ficar sem financiamento porque não estabelece privilégios de assistência médica gratuita para imigrantes ilegais. Isto num país que não oferece um serviço universal de saúde aos seus próprios cidadãos.
De facto, a deputada Maxine Waters (D-CA) pareceu admitir numa entrevista no início desta semana que os seus colegas democratas no Senado dos EUA forçaram uma paralisação do governo devido à falta de financiamento para assistência médica a imigrantes ilegais no projecto de lei provisório republicano.
Um repórter perguntou-lhe na terça-feira da semana passada:
“Os democratas estão a exigir assistência médica aos imigrantes ilegais?”
Waters respondeu:
“Os democratas estão a exigir assistência médica para todos. Queremos salvar vidas.”
A admissão da deputada democrata sénior da Câmara reforça as alegações republicanas de que os democratas do Congresso estão a dar prioridade aos imigrantes ilegais em detrimento dos cidadãos americanos e dos funcionários do governo federal. Numa publicação no Truth Social, o presidente Donald J. Trump criticou duramente os líderes democratas no Capitólio, destacando os comentários de Waters:
“Maxine Waters admitiu que está a exigir assistência médica aos imigrantes ilegais, que seria de primeira linha, retirado do plano de saúde dos contribuintes americanos.”
As propostas dos Democratas não proporcionam novos benefícios federais de saúde às pessoas que vivem ilegalmente nos EUA. Mas os líderes do partido procuram restaurar a elegibilidade anterior para certos imigrantes legais e não cidadãos — como beneficiários do DACA, refugiados e requerentes de asilo — que foi restringida pela Big Beautiful Bill de Trump.
Mas aAlguns argumentam que a disposição imposta pelo democratas, que fornece financiamento de emergência aos hospitais, é na verdade dinheiro que será alocado a cuidados médicos prestados nesses hospitais a imigrantes não documentados.
Na noite de terça-feira, os democratas do Senado avançaram para bloquear uma medida de financiamento de curto prazo apoiada pelos republicanos que teria evitado o colapso orçamental, desencadeando a paralisação do governo às 00h01 de quarta-feira passada. O projecto-lei provisório republicano procurava manter os actuais níveis de financiamento até 21 de Novembro, mas os democratas exigiram disposições que abordassem a extensão dos subsídios do Obamacare.
Os legisladores republicanos argumentam que a proposta democrata de prorrogação dos subsídios contém uma formulação que removeria as salvaguardas que impedem os imigrantes ilegais de os receber.
Por seu lado, Waters rejeitou as acusações de dar prioridade aos não cidadãos em detrimento dos americanos, classificando-as como “divisivas”.
Seja como for, há muitos americanos, principalmente aqueles com uma costela libertária, que estão a festejar o ‘shut down’ da administração federal. De facto, considerando que o governo central da federação é uma corrupta e luciferina indústria de desperdício, de guerra e de disfunção global, a sua paralização pode ser vista como uma boa notícia, para os americanos e não só.
E também é verdade que nesta altura do ano a questão orçamental leva sempre a momentos de maior tensão em Washington, mas que sempre se encontram soluções de compromisso que devolvam a tenebrosa máquina federal à sua actividade de cinzas.
O Contra é capaz de apostar o servidor onde está instalado que os congressistas hão-de encontrar uma maneira de manter giratório o rolo compressor que veneram religiosamente, dentro de uma ou duas semanas, no máximo.
After all, the show must go on.
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