A Google anunciou na semana passada que vai restabelecer contas do YouTube que tinham sido banidas permanentemente por discurso político, sob alegada pressão do regime Biden. Vários criadores do YouTube receberam interdições e suspensões por se recusarem a remover conteúdos sobre a pandemia COVID-19 que as autoridades alegaram constituir desinformação.

O anúncio da gigante tecnológica — também conhecida como Alphabet — constava num documento legal que detalhava a nova política da empresa, enviado para a Comissão de Justiça da Câmara. A mudança impacta potencialmente milhares de utilizadores, incluindo apoiantes proeminentes do presidente Donald J. Trump, como o vice-director do FBI, Dan Bongino, o assistente adjunto do presidente dos EUA, Sebastian Gorka, e o apresentador do WarRoom, Stephen K. Bannon.

“Reflectindo o compromisso da empresa com a liberdade de expressão, o YouTube oferecerá uma oportunidade para todos os criadores regressarem à plataforma no caso de a empresa ter encerrado os seus canais por repetidas violações das políticas de integridade eleitoral e da COVID-19, que já não estão em vigor”, escreveu a Google ao Comité Judiciário da Câmara.

É preciso não ter vergonha nenhum na cara para afirmar que a Alphabet está comprometida com a liberdade de discurso. Mas nos dias que correm, a mentira é a moeda corrente, é a língua franca, é o esperanto das elites, é o mais recorrente recurso retórico.

 

 

Em 2022, a Google baniu Bongino definitivamente do YouTube, o que levou o agora vice-director do FBI a levar o seu programa de rádio/podcast para a plataforma Rumble, concorrente do YouTube. Bongino terminou o seu programa de rádio no início deste ano, após a sua nomeação pelo Presidente Trump para o FBI, e entretanto já teve tempo para cair em desgraça.

De acordo com a Google, a empresa “valoriza as vozes conservadoras na sua plataforma [YouTube]” e afirmou que os criadores de conteúdos conservadores “têm um amplo alcance e desempenham um papel importante no discurso cívico”.

Que lata.

A empresa detalhou ainda como foi pressionada pelos funcionários da Casa Branca de Biden para censurar conteúdos conservadores, especialmente em relação ao que alegavam ser desinformação relacionada com a pandemia de COVID-19. O documento refere, num ataque raríssimo de honestidade, que, embora a Google tenha removido alguns conteúdos que não foram discriminados pela adminsitração Biden, terá agora encerrado as políticas que deram origem à censura sistemática.

“Altos funcionários do governo de Biden, incluindo funcionários da Casa Branca, realizaram contactos repetidos e constantes com a Alphabet e pressionaram a empresa em relação a determinados conteúdos gerados por utilizadores relacionados com a pandemia de COVID-19 que não violavam as suas políticas”, reconheceu a Google, acrescentando que o anterior regime “criou uma atmosfera política que procurava influenciar as acções das plataformas com base nas suas preocupações com a desinformação”.

 

Liberdade de expressão, mas devagar.

Apesar da intenção anunciada, a Google baniu os novos canais de Alex Jones e Nick Fuentes — apenas dois dias depois de a plataforma ter divulgado o seu novo compromisso com a “liberdade de expressão”, na carta ao Comité Judiciário da Câmara.

Primeiro, Alex Jones e, depois, Nick Fuentes aceitaram a oferta e criaram novos canais na quarta-feira da semana passada.

 

 

Ambos foram banidos em 24 horas.

 

 

Espantoso. A rapaziada de silicon Valley tem mesmo um compromisso feroz com a liberdade de expressão. É uma coisa doida.