O Presidente norte-americano Donald Trump aprovou recentemente um plano para fornecer à Ucrânia informações de inteligência que permitam a Kiev realizar ataques com mísseis de longo alcance contra infraestruturas energéticas e industriais no interior da Rússia.
O acordo de partilha de informações permite ao Pentágono e às agências de inteligência dos EUA ajudar as forças ucranianas a atingir refinarias de petróleo, oleodutos e outras infraestruturas que fornecem ao Kremlin as receitas e os recursos necessários para sustentar a operação militar que desenvolve no país vizinho.
A administração Trump também pediu aos aliados da NATO na Europa que partilhem informações semelhantes com a nação devastada pela guerra.
Embora Washington tenha regularmente prestado apoio à Ucrânia para a realização de ataques com drones e mísseis, o plano alargado de partilha de informações marca a primeira vez que o regime Trump admite oficialmente que irá auxiliar em ataques de longo alcance contra alvos dentro do território russo.
O governo está também a considerar armar a Ucrânia com poder de fogo de longo alcance, incluindo mísseis de cruzeiro Tomahawk e Barracuda, capazes de atingir alvos a mais de 2000 quilómetros de distância do local onde são lançados, colocando Moscovo dentro desse raio de acção.
No entanto, as autoridades alertaram que ainda não foi tomada uma decisão final sobre o fornecimento de mísseis de longo alcance à Ucrânia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu a Trump, durante uma reunião à porta fechada na semana passada, que lhe vendesse mísseis Tomahawk, com relatos a referirem que o inquilino da Casa Branca pareceu receptivo ao pedido.
As armas de maior alcance que a Ucrânia recebeu até agora dos EUA são ATACMS, que têm uma autonomia de 305 quilómetros. Ou seja, nem o regime Biden foi tão longe, na hostilidade para com Moscovo.
Em Agosto, a administração Trump aprovou a venda de mais de 3.000 Munições de Ataque de Alcance Alargado lançadas do ar, que podem viajar até 450 quilómetros.
A verdade é que os mísseis de longo alcance serão certamente “vendidos” à Ucrânia, porque este acordo de partilha de informações de inteligência só faz sentido se Kiev tiver como armá-lo.
Tudo isto corre no contexto de uma reviravolta, mais uma, na posição da Casa Branca face ao conflito do Mar Negro, com Trump a apoiar cada vez mais o esforço de guerra ucraniano, afirmando, risivelmente, que a Ucrânia poderá até recuperar os territórios entretanto ocupados pela Rússia, incluindo a Crimeia.
Os Estados Unidos parecem agora apostados em abrir três frentes de guerra (Venezuela, Irão e Rússia), já que a decisão envolve a federação directamente no conflito regional entre russos e ucranianos. É mais um passo no sentido da guerra mundial, se é que há espaço ainda para esse andamento, tão perto estamos já do abismo.
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