Aqueles que teimam em ver na Rússia um tenebroso inimigo do Ocidente e uma ameaça à paz e uma potência imperialista que aspira invadir a Europa, deviam parar para respirar e reflectir, por exemplo, sobre o assunto que os dois alexandres discutem no clip em baixo.

Quando temos líderes europeus como Friedrich Merz, Keir Starmer e Emmanel Macron que olvidam declaradamente a ruína económica e social dos países que (des)governam, para investirem tudo – o seu capital político tanto como a própria sobrevivência das suas nações – na guerra com a Rússia, sem apresentarem sequer qualquer prova material de que a Rússia pretende fazer a guerra na Europa, que conclusões podemos tirar?

Não serão eles os nossos verdadeiros inimigos? Não serão eles que querem conduzir a civilização ocidental à aniquilação?  É Vladimir Putin que vos está a empobrecer, a censurar, a alienar? É o Kremlin que abriu as vossas fronteiras, desagregando as sociedades e eliminando a riqueza cultural dos vossos países, transformando o conceito de nação num anátema? É Moscovo que vos tributa até à destituição? São os russos que vos estão a substituir por paquistaneses e sistemas de inteligência artificial? É a maior potência nuclear do mundo que está a fazer tudo para espoletar uma guerra que ninguém pode ganhar – pelo seu inimaginável potencial destrutivo – ou são os líderes europeus que, precisamente apostando nesse clímax apocalíptico, entendem um confronto nuclear como forma de se perpetuarem no poder?

 

 

Pensem: se a Rússia tem conduzido na Ucrânia uma lenta e paciente estratégia de atrito, com difíceis ganhos territoriais limitados aos seus estritos objectivos estratégicos, e evitando o caminho mais rápido de uma guerra relâmpago apoiada no potencial destrutivo das armas devastadoras que tem no seu arsenal, como os mísseis Oreshnik, procurando claramente evitar as baixas civis e uma política de terra queimada, que probabilidade haverá de se apresentar como uma força militar invasora para Berlim, Paris ou Londres?

Não será o avanço da NATO para leste uma ameaça muito mais concreta à integridade das fronteiras russas, do que a operação militar de Moscovo na Ucrânia uma ofensiva à integridade territorial europeia?

E não é irónico que as fronteiras ucranianas sejam sagradas para líderes europeus que têm nas últimas décadas desvalorizado até ao zero absoluto as suas próprias fronteiras?

Acreditam realmente que os globalistas no poder em França, na Alemanha e no Reino Unido, que têm laços históricos e culturais nenhuns com a Ucrânia, estão realmente preocupados com os ucranianos? E se assim fosse, como promoveriam a continuação de uma guerra que já matou para cima de 1,7 milhões deles?

Caros russofóbicos: acordem para a realidade dos factos. O inimigo que devem combater não está a leste dos Balcãs. Está no centro das vossas vidas. Está nos homens que  teimais em eleger, para vossa desgraça e miséria dos vossos filhos.

O que estes bandidos tanto odeiam na Rússia é a sua fé ortodoxa, o seu apego à mãe pátria, à tradição, aos valores conservadores que o neo-liberalismo já aniquilou no Ocidente.

A Rússia é o último bastião da civilização cristã. E é isso que está em causa na Ucrânia. Mais nada.

 

Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura