Enquanto Pete Hegseth e Donald Trump se entretinham a arengar e a humilhar, a enaltecer e a rebaixar, a motivar e a desmotivar 800 generais que, nitidamente, preferiam passar as horas que perderam em Quantico no bordel da sua eleição, o resto do mundo ficou mais perto da terceira grande guerra.

A administração americana parece cada vez mais feliz de gatilho e aponta o Colt 45 para os 360 graus da geografia política: Venezuela, Palestina, Irão, Yémen, Rússia, China; venha quem vier e quantos são, quantos são? Vamos dar cabo deles todos.

Hegseth até alertou a apreensiva audiência: se não estão dispostos a matar tudo aquilo que mexa, saiam já porta fora.

 

 

O ‘Secretário da Guerra’ gosta muito de falar de guerra. Por causa da paz, diz ele. Mas há aqui uma coisa que não se percebe bem. Este histerismo belicoso todo deve-se a quê? Quem é o inimigo? Os EUA têm que estar preparados para a guerra porque estão a ser ameaçados por quem, exactamente? Que ofensa, que dano, que hostilidade sofreram os americanos que justifique esta entusiasmada disposição para o conflito? Foram os EUA bombardeados ou invadidos por tropas estrangeiras e eu não demos por ela? Estão as milhentas bases norte-americnas por esse mundo fora a ser atacadas? Por quem? Quantos soldados americanos morreram? O que é que aconteceu para Hegseth estar tão nervoso?

E diz-se este homem cristão…

Há potências militares que fazem a guerra porque podem. Os Estados Unidos fazem a guerra porque sim. E depois logo se vê se podem ou não.

 

 

Aproveitando a sede de sangue dos americanos, os sionistas estão nas suas sete infernais quintas e preparam-se para uma segunda rodada de morticínio. Até porque ainda está por eclodir uma guerra no Médio Oriente de que Benjamin Netanyahu não goste. Mas gosta especialmente de matar iranianos (mesmo que para isso seja preciso matar muitos israelitas também).

 

 

Entretanto na Europa, somos todos falcões. E enquanto os ministros enchem a boca com declarações de que a guerra contra a Rússia já está em curso, os hospitais preparam-se para os milhões de feridos, embora nada seja dito sobre a preparação das morgues para os milhões de mortos.

 

 

 

Os dinamarqueses, assustados com uns quantos OVNIS que têm pacificamente visitado o aeroporto de Copenhaga, borraram completamente a roupa interior e mobilizaram “centenas de reservistas”. Centenas. Boa sorte para a invasão extraterrestre.

 

 

Os suecos, por seu turno, decidiram que têm caças a mais e vão dá-los a Zelensky, pensando, talvez acertadamente, que pilotos ucranianos sem qualquer treino de combate nestas aeronaves vão ainda assim com elas fazer melhor figura do que os pilotos do seu país.

 

 

Zelensky agradece, claro, embora neste momento a sua prioridade não se relacione com as armas que pode ter amanhã, mas com o armagedão que pode criar já hoje: as notícias de planos ucranianos para a prossecução de falsas bandeiras que levem a NATO a entregar-se ao suicídio colectivo de uma guerra com a Rússia têm brotado como cogumelos, nos últimos dias.

 

 

Não é assim de estranhar a reacção russa. Os líderes políticos e militares de Moscovo têm mostrado que são capazes de mimetizar a paciência chinesa, mas não são chineses. E o momento do murro na mesa está mesmo aí a rebentar.

 


 

Numa breve participação no podcast do Juiz Napolitano, o Professor Gilbert Doctorow liberta a suspeita, deveras preocupante, que das duas uma: Ou Putin se decide por acelerar a guerra e decapitar rapidamente o regime Zelensky, ou pode ele próprio ser decapitado por elites políticas que em Moscovo começam a ficar impacientes com o lento desenvolvimento da operação militar na Ucrânia, e deveras irritados com a retórica e as acções do bloco ocidental.

Porque Vladimir Putin, ao contrário do que pensa muito boa gente, é um moderado. Mas há muitos imoderados nas cúpulas do poder político, económico e militar da Rússia. Há até destacadas figuras da nomenclatura que defendem o uso de armas nucleares tácticas para que o Ocidente entenda que o Kremlin não está a brincar ao Jogo do Risco.

 

 

Em conclusão: pode ser uma questão de horas, de semanas, de meses. Dificilmente será uma questão de anos.

Mas a verdade é que mais cedo ou mais tarde vamos ser completamente obliterados. A coisa não foi lá com a pandemia. Nem com o apocalipse climático. E ninguém ia agora acreditar numa guerra das estrelas, via CNN. Assim sendo, só resta uma alternativa, não é?