Wrong Way Up – Brian Eno / John Cale

Viramos a década, finalmente. 1990 é o ano redondo em que os senhores Brian Eno e John Cale decidem voltar a fazer colidir magníficos esforços de forma a proporcionar à audiência da galáxia uma obra de arte a meias: “Wrong Way Up” é um objecto belo e ressacado e imprevisto como uma curva apertada que não consta no roadmap da existência. Uma nota alienígena na grande pauta do génio humano. E a prova provada que a influência de Andy Warhol nos Velvet Underground sempre foi nefasta. Sozinhos, em dupla ou fosse como fosse, a boa parte dos seus músicos superaram largamente o que tinham feito na banda que queria ser uma lata de sopa Campbell. “Wrong Way Up” não é pós-modernista. É modernista, apenas. E é aí que reside a sua virtude incomparável.

 

A Life With Brian – Flowered Up

O Indie pop aos pulos, grandiloquente e circense, profeta metropolitano da década que aí vinha, arauto iniciático da revolução inglesa que estava a rebentar, subsidiado por generosas doses de heroína e ligado a uma poderosa fonte de alta voltagem é, substancialmente, isto: “A Life With Brian”, de 1991, primeiro e único longa duração dos inacreditáveis Flowered Up, que vindos das caves de Camden Town podiam ter sido deuses, mas escolheram morrer por overdose de tudo. Um disco para os anais.

 

Automatic For The People – REM

Entre promessas de interrupção da boa actividade pulmonar, a prototípica depressão do folk confederado e o pós-moderno sentido de humor de Andy Kaufman – o homem na lua; os REM conseguiram encontrar um caminho para a posteridade e, não tendo nada contra os outros 14 trabalhos de estúdio desta banda inspirada e operária (pelo contrário), “Automatic For The People”, a oitava tentativa de perfeição, é um disquinho imortal. E se Michael Stipe trauteasse só um pouco melhor os versos de “Nightswimming” já não era um homem, mas o fantasma da ópera, que estaria a cantar.

 

Public Fruit – Curve

Em 1992 este disco era a definição de som da frente: “Pubic Fruit” faz colidir os vários e bombásticos curta duração que os incríveis Curve tinham publicado nos dois anos anteriores e que vão influenciar bandas posteriores como os Prodigy, os Leftfield ou os Underworld. O “Noise Pop” inventado por Toni Halliday e Dean Garcia consistia num inovador palco sonoro – condensado cacofónico de ruídos electrónicos lançados a uma velocidade maluca por um aparelho percursivo em upbeat delirante – e num trabalho vocal de ambição lírica e consistência melódica que compensava largamente o barulho de fundo. Oiço “Blindfold” e ainda acho, 30 anos depois, que os Curve soam a vanguarda por todo o lado. Essa é que é essa.

 

 

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