O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou por unanimidade o ataque israelita a um complexo residencial em Doha, no Qatar, que teve como alvo figuras importantes do Hamas. A declaração do conselho — apoiada por todos os 15 membros, incluindo os Estados Unidos — não menciona explicitamente Israel, mas deixou claras as suas objecções ao ataque.

Numa sessão de emergência do Conselho, o primeiro-ministro do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, afirmou:

“Israel, liderado por extremistas fanfarrões, ultrapassou quaisquer fronteiras, quaisquer limitações em termos de comportamento. Não podemos prever o que Israel vai fazer.”

Abdulrahman al-Thani alertou que o ataque colocou a comunidade internacional “perante um desafio”.

O enviado de Israel, Danny Danon, defendeu o atentado, dizendo:

“Este ataque envia uma mensagem que deve ecoar por esta Câmara. Não há santuário para terroristas, nem em Gaza, nem em Teerão, nem em Doha.”

O Hamas informou que a sua equipa de negociação sobreviveu ao ataque, mas que cinco pessoas foram mortas, incluindo o filho do seu negociador-chefe, Khalil al-Hayya. Um oficial de segurança do Qatar também se conta entre os mortos.

O presidente Donald J. Trump criticou o ataque, afirmando:

“Bombardear unilateralmente o Qatar, uma nação soberana e um aliado próximo dos Estados Unidos, que está a trabalhar árdua e corajosamente e a correr riscos connosco para negociar a paz, não promove os objectivos de Israel ou dos Estados Unidos.”

Acontece que os objectivos de Israel e dos EUA não são, ou não deviam ser, os mesmos. Não há duas nações no mundo com objectivos estratégicos iguais, como é óbvio.

Acresce que o Qatar alberga uma grande base militar dos EUA e fechou recentemente um acordo comercial e de investimento com o Presidente Trump, com muitos a sugerirem que Israel, conduzindo um ataque deste tipo à capital do estado do Golfo, de qualquer forma, prejudica os interesses americanos.

Por uma vez, a administração Trump foi capaz de tomar uma posição contrária à agenda de Netanyahu, mesmo que este tipo de resoluções da ONU sejam na verdade completamente irrelevantes.

Por outro lado, esta é a segunda vez no espaço de 3 meses que os EUA chamam negociadores de países islâmicos à mesa das negociações de paz, só para que sejam alvos do fogo israelita, já que um caso muito parecido aconteceu em Junho, quando Israel atacou o Irão no exacto momento em que a adminsitração Trump fingia negociar o fim do programa nuclear com as autoridades de Teerão.

Dando constantemente sinais contraditórios, a Casa Branca ora dá luz verde ao regime sionista para cometer as maiores barbaridades imagináveis, ora confessa que Netanyahu está a esticar a corda do admissível, numa dança imponderável e desorientada, sem conclusão lógica discernível.