Um grupo de manifestantes pró-Hamas lançou barreiras numa estrada e atacou a polícia, provocando o caos e interrompendo a etapa final da Volta a Espanha, em Madrid, no domingo. O caos levou os organizadores a terminar a corrida a cerca de 50 quilómetros do risco de meta, quando os manifestantes contrários à participação da equipa israelita, Israel Premier Tech, romperam as barreiras policiais e bloquearam o percurso.
As autoridades anunciaram que duas pessoas foram detidas e 22 ficaram feridas durante os confrontos perto da meta. Estima-se que 100 mil pessoas tenham estado nas ruas durante os protestos, de acordo com o representante do governo central para a região de Madrid.
Los manifestantes propalestina ocupan parte de la calle de Gran Vía, recorrido que forma parte de La Vuelta a España y por el que se espera que pasen los ciclistas.https://t.co/Xk35b2tIUZ pic.twitter.com/Zva1TgZOrf
— RTVE Noticias (@rtvenoticias) September 14, 2025
Os organizadores da Vuelta afirmaram em comunicado:
“Lamentamos os acontecimentos ocorridos durante a etapa final da Vuelta 25. Apesar de todos os esforços da organização, não conseguimos concluir a etapa como planeado devido aos infelizes incidentes ocorridos em Madrid.”
O ciclista dinamarquês Jonas Vingegaard, que liderava a classificação geral antes da etapa final, foi declarado vencedor da prova de três semanas, mas a tradicional cerimónia do pódio foi cancelada. Vingegaard afirmou a este propósito:
“É uma pena que um momento de posteridade nos tenha sido tirado. Todos têm o direito de protestar, mas não de forma a influenciar ou pôr em risco a nossa corrida.”
Posteriormente, as equipas organizaram de improviso uma cerimónia privada com um pódio para que os ciclistas pudessem celebrar.
A corrida tornou-se um campo de batalha diplomática, com os manifestantes pró-Hamas a interromperem várias etapas e a exigirem a expulsão da Israel Premier Tech. As constantes perturbações da corrida, realizadas por um movimento claramente organizado com esse fim, que enfrentou risível e incapaz oposição policial, comprometeram a verdade desportiva da competição, ao resultarem na redução para um terço da sua extensão de um contra-relógio decisivo na terceira semana da prova, e ao forçarem a neutralização da última subida de uma importante etapa de montanha. O primeiro prejudicado destes protestos e das suas consequências acabou por ser o português João Almeida, adversário directo de Vingegaard para a vitória na prova e que ganhou ao dinamarquês dez segundos no Contra-Relógio, sendo legítimo especular que se esta etapa tivesse a extensão inicialmente programada o ciclista de A-dos-Francos poderia ter reduzido de forma mais substancial a distância de menos de um minuto que o separava do seu adversário.
O governo espanhol, de extrema-esquerda, chegou ao ponto de se mostrar solidário pelos protestos, afirmando, sem qualquer base legal, que a equipa de Israel não devia participar na corrida, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, criticou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, por encorajar os manifestantes.
O presidente da Câmara de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, de direita, classificou os acontecimentos de domingo como um dia triste para a cidade. Mas foi também incapaz de proteger o desenlace de uma prova que faz parte das três competições mais importantes do calendário mundial de ciclismo de estrada.
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