Um novo estudo da Universidade de Stanford revela que os implantes neurais, também conhecidos como interfaces cérebro-computador (ICCs), podem não só ajudar os indivíduos paralisados a comunicar, como também podem potencialmente revelar os nossos pensamentos mais íntimos às corporações tecnológicas.
Publicada na revista médica Cell, a investigação mostra que estes dispositivos conseguem descodificar sinais cerebrais para produzir fala sintetizada muito rapidamente.
As ICC utilizam minúsculos conjuntos de eléctrodos para monitorizar a actividade no córtex motor do cérebro, a região que controla os músculos relacionados com a fala. Até agora, a tecnologia dependia de sinais de indivíduos paralisados que tentavam activamente falar. A equipa de Stanford, no entanto, descobriu que mesmo a fala imaginada gera sinais semelhantes, embora mais fracos, no córtex motor. Com a ajuda da inteligência artificial, traduziram estes sinais fracos em palavras com uma precisão de 74%, a partir de um vocabulário com 125.000 palavras.
Erin Kunz, investigadora de pós-doutoramento no Laboratório de Próteses Neurais de Stanford, afirmou a este propósito:
“Estamos a gravar os sinais enquanto eles tentam falar e a traduzir esses sinais neurais nas palavras que estão a tentar dizer.”
Mas este salto tecnológico levantou suspeitas entre os críticos, que alertam para um futuro distópico, onde os pensamentos privados das pessoas podem ser expostos.
Nita Farahany, professora de Direito e Filosofia na Universidade de Duke e autora de “A Batalha pelo Seu Cérebro”, deu o alarme dizendo à NPR:
“Quanto mais avançamos com esta investigação, mais transparentes se tornam os nossos cérebros”.
Farahany expressou a preocupação de que gigantes tecnológicos como a Apple, a Google e a Meta possam explorar as BCI para aceder à mente dos cidadãos sem o seu consentimento, recomendando salvaguardas como palavras-passe para proteger pensamentos que deveriam permanecer privados. A professora acrescentou:
“Temos de reconhecer que esta nova era de transparência cerebral é realmente uma fronteira inteiramente nova para nós.”
Enquanto o mundo se concentra na inteligência artificial, alguns dos maiores pesos pesados da indústria tecnológica estão a investir milhares de milhões em BCIs. Elon Musk, o homem mais rico do mundo, angariou 1,2 mil milhões de dólares para o seu empreendimento Neuralink, que está agora a realizar ensaios clínicos com instituições de topo como o Barrow Neurological Institute, o Miami Project to Cure Paralysis e a Cleveland Clinic Abu Dhabi.
Agora, outro gigante luciferino da tecnologia está a entrar na luta.
O cofundador da OpenAI, Sam Altman, está a lançar o Merge Labs para desafiar o Neuralink de Musk. Avaliado em 850 milhões de dólares, o Merge Labs procura mais financiamento, de acordo com o Financial Times. Embora Altman seja cofundador, ao lado de Alex Blania, do projecto World, que está a desenvolver mecanismos de digitalização da íris, há indícios de que estes dois secretários de Satanás não assumirão uma função operacional.
O que não tranquiliza ninguém, considerando a sua missão distópica.
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