Várias e violentas explosões atingiram o distrito de Katara, em Doha, capital do Qatar, na terça-feira. Segundo as autoridades israelitas, o ataque fez parte de um plano de assassinato dos membros de alto nível do Hamas residentes no estado do Golfo Pérsico.
As Forças de Defesa de Israel confirmaram o ataque num comunicado partilhado nas redes sociais:
“As Forças de Defesa de Israel (IDF) e a ISA [Agência de Segurança de Israel] realizaram um ataque preciso contra a alta liderança da organização terrorista Hamas. Durante anos, estes membros da liderança do Hamas comandaram as operações da organização terrorista, são directamente responsáveis pelo brutal massacre de 7 de Outubro e orquestraram e geriram a guerra contra o Estado de Israel. Antes do ataque, foram tomadas medidas para mitigar os danos civis, incluindo o uso de munições de precisão e inteligência adicional.”
O comunicado alerta ainda que
“as FDI e a ISA continuarão a operar com determinação para derrotar a organização terrorista Hamas responsável pelo massacre de 7 de Outubro”.
The IDF and ISA conducted a precise strike targeting the senior leadership of the Hamas terrorist organization.
For years, these members of the Hamas leadership have led the terrorist organization’s operations, are directly responsible for the brutal October 7 massacre, and…
— Israel Defense Forces (@IDF) September 9, 2025
Os ataques representam uma intensificação massiva das operações militares de Israel no Médio Oriente, que até então se limitavam sobretudo aos seus vizinhos imediatos e aos Estados hostis, como o Irão e o Iémen, controlado pelos Houthis. O Qatar é um Estado extremamente rico do Golfo, mantendo fortes laços económicos e financeiros com potências regionais como a Turquia, e alberga também bases ocidentais operadas pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido.
O governo local tem sido importante em vários esforços diplomáticos que objectivam a paz no Médio Oriente, posicionando-se como um interlocutor entre radicais islâmicos e o Ocidente. É assim natural que albergue representantes do Hamas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar respondeu ao ataque, classificando-o neste termos:
“Trata-se de um ataque criminoso e de uma violação flagrante de todas as leis e normas internacionais [que] representa uma séria ameaça à segurança dos qataris e dos residentes no Qatar”.
O Hamas afirmou entretanto que o ataque não atingiu os alvos desejados e que a liderança do grupo terrorista presente no Qatar escapou ilesa.
A Casa Branca confirmou, se preciso fosse, que teve conhecimento antecipado do ataque (os EUA têm uma base militar próxima dos alvos israelitas). Ou seja: que o autorizou.
Desde que Donald Trump subiu ao poder, Israel atacou o Líbano, o Iémen, o Irão, a Síria (depois de contribuir para lá instalar um regime jihadista) e o Quatar. Os próprios EUA atacaram o Iémen e o Irão este ano. Há algum país no Médio Oriente que esteja a salvo desta profana aliança?
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