Várias e violentas explosões atingiram o distrito de Katara, em Doha, capital do Qatar, na terça-feira. Segundo as autoridades israelitas, o ataque fez parte de um plano de assassinato dos membros de alto nível do Hamas residentes no estado do Golfo Pérsico.

As Forças de Defesa de Israel confirmaram o ataque num comunicado partilhado nas redes sociais:

“As Forças de Defesa de Israel (IDF) e a ISA [Agência de Segurança de Israel] realizaram um ataque preciso contra a alta liderança da organização terrorista Hamas. Durante anos, estes membros da liderança do Hamas comandaram as operações da organização terrorista, são directamente responsáveis ​​pelo brutal massacre de 7 de Outubro e orquestraram e geriram a guerra contra o Estado de Israel. Antes do ataque, foram tomadas medidas para mitigar os danos civis, incluindo o uso de munições de precisão e inteligência adicional.”

O comunicado alerta ainda que

“as FDI e a ISA continuarão a operar com determinação para derrotar a organização terrorista Hamas responsável pelo massacre de 7 de Outubro”.

 

 

Os ataques representam uma intensificação massiva das operações militares de Israel no Médio Oriente, que até então se limitavam sobretudo aos seus vizinhos imediatos e aos Estados hostis, como o Irão e o Iémen, controlado pelos Houthis. O Qatar é um Estado extremamente rico do Golfo, mantendo fortes laços económicos e financeiros com potências regionais como a Turquia, e alberga também bases ocidentais operadas pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido.

O governo local tem sido importante em vários esforços diplomáticos que objectivam a paz no Médio Oriente, posicionando-se como um interlocutor entre radicais islâmicos e o Ocidente. É assim natural que albergue representantes do Hamas.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar respondeu ao ataque, classificando-o neste termos:

“Trata-se de um ataque criminoso e de uma violação flagrante de todas as leis e normas internacionais [que] representa uma séria ameaça à segurança dos qataris e dos residentes no Qatar”.

O Hamas afirmou entretanto que o ataque não atingiu os alvos desejados e que a liderança do grupo terrorista presente no Qatar escapou ilesa.

A Casa Branca confirmou, se preciso fosse, que teve conhecimento antecipado do ataque (os EUA têm uma base militar próxima dos alvos israelitas). Ou seja: que o autorizou.

Desde que Donald Trump subiu ao poder, Israel atacou o Líbano, o Iémen, o Irão, a Síria (depois de contribuir para lá instalar um regime jihadista) e o Quatar. Os próprios EUA atacaram o Iémen e o Irão este ano. Há algum país no Médio Oriente que esteja a salvo desta profana aliança?