A maior notícia da semana passada nos EUA não foi sobre política, economia, imigração, o genocídio em Gaza ou a guerra na Ucrânia. O noivado da estrela pop Taylor Swift com o tight end dos Kansas City Chiefs, Travis Kelce, dominou as manchetes, inundou as redes sociais e até levou um repórter a solicitar ao ex-presidente Donald Trump uma reacção ao acontecimento.

O Contra qualifica o assunto como irrelevante e tem por regra ignorar as aventuras e desventuras das celebridades, por muitos cliques que possam gerar. Porém, a forma como a MSNBC usou o noivado de Swift como desculpa para atacar a instituição do casamento já é um tema mais interessante. Em vez de alegria, ofereceram amargura. Em vez de celebrarem o anúncio, publicaram sobre o facto um ensaio triste e desiludido, quase invejoso, insistindo que o casamento “cria mais problemas do que aqueles que resolve” e alertando a sua heroína Swift de que “não há nada de mágico” em dizer que “sim”.

A MSNBC tentou assustar Taylor Swift (e todos os seus incautos leitores) para que não se casem porque a sua agenda é de guerra à família e a tudo o que possa trazer felicidade, significado e realização às pessoas.

O artigo não é apenas patético e inapropriado — é revelador. Perante um dos momentos mais alegres que um casal pode experimentar na vida, o seu instinto não foi celebrar a ocorrência, mas condená-la. Isto diz tudo sobre a visão do mundo dos grandes meios de comunicação: a tradição é ridicularizada, os laços duradouros entre um homem e um mulher são malditos (é preferível passar a vida na ansiedade espúria do Tinder), a possibilidade da prole é desdenhada (ter filhos, que horror!). A concretização formal de laços duradouros entre duas pessoas que assim manifestam o afecto que nutrem um pelo outro é basicamente retratada como uma certidão de sofrimento.

Nem interessa à infeliz redactora do artigo a verdade óbvia: as mulheres casadas são mais felizes do que as mulheres solteiras. As mães casadas e com filhos são as mais felizes de todas. Os dados não comprovam a amargura da cronista da MSNBC, nem a experiência vivida. A única forma da narrativa sobreviver é continuar a repetir a mentira de que a família, a fé e o compromisso são algemas, em vez de âncoras.

Embora os noivados em Hollywood sejam triviais e voláteis, a resposta da imprensa mostra como os grandes meios de comunicação social não conseguem sequer cobrir o anúncio de matrimónio sem tentar minar a própria instituição e o seu valor como fundamento de uma sociedade coesa e saudável.

O casamento formalizado, licenciado pela comunidade e firmado transcendentalmente é, há dezenas de milhares de anos, um mecanismo muito bem sucedido para assegurar a coesão social e a perpetuação da comunidade, mas os apparatchiks da imprensa corporativa, que têm uma consciência do legado humano formatada pela Netflix, sabem melhor.

O casamento, além de tudo mais, potencia a geração de mais seres humanos, num ambiente estável e afectuoso, que possam contribuir por sua vez para sociedades funcionais e prósperas. É precisamente isso que a MSNBC mais detesta.

Porque a imprensa corporativa segue cegamente a agenda dos seus senhores, que visa a distopia de sociedades atomizadas e indivíduos frágeis e isolados, infelizes e estéreis como a redactora do artigo em causa, que são mais fáceis de tratar como cabeças de gado.