A Directora-Geral do Comércio da União Europeia admitiu que os EUA atropelaram completamente o bloco durante as polémicas negociações comerciais transatlânticas deste Verão.

Em declarações ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, a 26 de Agosto, Sabine Weyand descreveu as negociações UE-EUA como inexistentes, já que a administração do presidente norte-americano Donald Trump simplesmente ditou os termos:

“Se não me ouviu dizer a palavra ‘negociação’, é porque não houve uma.”

O acordo, visto por muitos como humilhante para a UE, permitiu aos EUA introduzir novas tarifas unilaterais de 15% sobre os produtos europeus. A UE recebeu pouco ou nada de valor económico em troca.

De acordo com Weyand, que trabalha para a Comissão Europeia há mais de três décadas, isto ocorreu porque as preocupações urgentes com a segurança forçaram o bloco a ceder incondicionalmente.

“Não houve troca de exigências ou ofertas. O lado europeu estava sob uma enorme pressão para encontrar uma solução rápida para estabilizar as relações transatlânticas no que diz respeito às garantias de segurança.”

A funcionária da UE afirmou que o bloco abandonou os seus próprios interesses económicos em troca de apoio político e militar, acrescentando:

“Na verdade, não se tratava de um equilíbrio clássico de interesses, mas de garantir um pacote político geral. Do ponto de vista da Comissão, esta foi uma consideração estratégica, não uma solução ideal de política económica.”

Weyand afirmou que a guerra na Ucrânia e as incertezas da política externa foram factores decisivos.

“Temos uma guerra terrestre no continente europeu. E estamos completamente dependentes dos Estados Unidos. Os Estados-membros não estavam preparados para correr o risco de uma nova escalada, que teria sido consequência das contramedidas europeias. Para equilibrar estes riscos de segurança, a UE pagou um preço económico. O perigo era que os EUA, em troca, questionassem a parceria em matéria de política de segurança.”

Antes das negociações com os EUA, Bruxelas ameaçou impor tarifas de retaliação no valor de 95 mil milhões de euros sobre uma série de produtos americanos, classificando as exigências de Washington como “injustificadas e prejudiciais”. Isso acabou por se revelar nada mais do que um bluff.

Weyand disse acreditar que a ordem económica mundial do pós-Segunda Guerra Mundial estava terminada, independentemente de quem estivesse à frente da Casa Branca:

“Acabou – e para sempre. A interdependência já não é percebida como algo vantajoso para todos. As dependências são utilizadas instrumentalmente. O que precisamos é de indispensabilidade. A Europa precisa de se tornar insubstituível nas cadeias de abastecimento globais – para que as nossas dependências não se virem contra nós.”

Surpreendentemente, a senhora admitiu que as lideranças europeias não estavam à altura da tarefa.

“Não temos a governação certa, nem a mentalidade certa.”

Este é mais um exemplo claro que a russofobia está a levar a Europa à ruína. Uma crise fabricada está a conduzir a uma crise real.

Onde é que já vimos este filme?