Dados da extensão do gelo marinho da NOAA . 2012 – 2024

 

 

O Net Zero está morto nos Estados Unidos e a extrema-unção foi administrada através de uma devastador relatório oficial do Departamento de Energia.

Intitulado “Uma análise crítica dos impactos das emissões de gases de efeito estufa no clima dos EUA” e divulgado no fim de Julho, o relatório levanta a censura imposta há décadas pela chamada ciência climática “estabelecida”. Compilado por cinco cientistas norte-americanos eminentes, é uma refutação sistemática das alegações, metodologias e motivações que impulsionam cientistas-activistas, políticos e formadores de opinião que promovem a aspiração tresloucada e radical das emissões zero. Apesar de sua relevância institucional e académica, até ao momento o documento tem sido amplamente ignorado pela imprensa corporativa.

No relatório, lemos que os modelos computacionais oferecem “pouca orientação” sobre o quanto o clima responde a níveis mais elevados de dióxido de carbono, que o número de eventos climáticos extremos não está a aumentar, que o nível do mar na América do Norte não mostra tendência de subida, que as alegações sobre alterações climáticas são facilmente contestadas por variações naturais do sistema planetário, juntamente com a admissão de que foram originalmente concebidas com o objectivo de “guerra jurídica” e política em mente. Para Anthony Watts, que passou décadas a contestar a ciência politizada “estabelecida”, a consideração mais importante é que o relatório “confronta a retórica exagerada e politizada que dominou as manchetes durante décadas”.

Watts, que administra o site de cepticismo climático Watts Up With That? (WUWT?), responsável por divulgar o infame escândalo Climategate, argumenta que o novo relatório é único, pois tem estatuto oficial e independência dos autores. Não é um documento de um think tank ou um artigo publicado numa revista dissidente, observando que “é raro ver cientistas deste calibre (com experiência na NASA, no IPCC e em grandes universidades) autorizados a contestar directamente as narrativas políticas predominantes com recursos governamentais por trás deles”. O trabalho é uma “crítica abrangente” que cita extensivamente literatura revista por pares, com explicações claras sobre incertezas científicas e erros nos modelos climáticos.

O relatório cita trabalhos recentes que mostram um crescimento extenso de plantas e culturas devido à fertilização atmosférica que aumentou a fotossíntese e melhorou a eficiência do uso da água. Os autores observam que, ao longo dos últimos 60 anos, houve milhares de estudos sobre a resposta das plantas ao aumento dos níveis de CO2, e o tema predominante é que beneficiam desse acréscimo. Em 2016, um estudo publicado pela Nature detectava um aumento das áreas verdes em mais de 25% a 50% do planeta. Mas há um quase silêncio oficial sobre o assunto. Algumas menções podem ser encontradas nos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mas, em geral, segundo observam os autores, “os resumos para formuladores de políticas, resumos técnicos e relatórios de síntese [do IPCC] do AR5 e ASR6 não discutem o tema”.

Escusado será dizer que o documento tem poucas palavras amáveis para as projecções climáticas baseadas no notório cenário de emissões do IPCC conhecido como RCP8.5. A maioria dos estudos académicos sobre o impacto climático nos últimos anos baseia-se neste cenário extremo, “«que agora é considerado implausível”. Por que razão esta crítica é importante? Porque o RCP8.5 polui a literatura científica sensacionalista e tem um papel fundamental na promoção do plano Net Zero. A maioria das histórias nos meios de comunicação convencionais foram desmascaradas nos últimos anos por investigadores independentes — desde o futuro colapso da Corrente do Golfo até o desaparecimento dos corais ou à fraude comprovada do degelo no Ártico.

Os modelos climáticos são conhecidos por serem a principal ferramenta utilizada para projectar as alterações climáticas futuras em resposta a níveis mais elevados de gases com efeito de estufa antropogénicos. Pode acrescentar-se que os seus resultados são a base de 40 anos de alarmismo destinado a impulsionar o Net Zero e a destruição da economia industrial dos hidrocarbonetos.

Aqueles que tendem a usar uma linguagem menos simpática podem comentar que os modelos climáticos são inúteis para fornecer ciência genuína sobre a qual políticas públicas razoáveis possam ser determinadas — e sempre foram.

Grande parte do alarmismo climático recente gira em torno de eventos climáticos “extremos” e da sugestão de que algo que a natureza sempre impôs à vida na Terra pode agora ser directamente atribuído às açcões dos seres humanos. Um dos mais proeminentes grupos de pressão neste campo é o World Weather Attribution (WWA), financiado pela Green Blob, sediado no Imperial College, em Londres, e liderado pela favorita da BBC, a Dra. Friederike Otto. O relatório observa a este propósito: “A ampla promoção do WWA de descobertas não revistas por pares, a sua admissão aberta de moldar análises para servir litígios e os seus desafios metodológicos geraram controvérsia”.

O maior problema (além do uso de modelos computacionais) é a falta de dados históricos sobre eventos climáticos extremos. Alguns anos de dados, aliados a uma convicção não comprovada de que todo o aquecimento actual é causado pelos seres humanos, não podem fornecer orientação para eventos atípicos. Se considerarmos a reconstrução paleoclimática, “torna-se muito difícil para um evento ultrapassar os limites do que é esperado da variabilidade natural”, conclui-se.

Como o Contracultura já documentou, algumas sondagens demonstram que, apesar da incessante propaganda, as populações mundiais não estão em sintonia com a narrativa do apocalipse climático. Mas ainda assim, já é mais que tempo da crítica a esta indústria do alarmismo passar para o mainstream mediático e a cultura popular. Talvez este relatório, que vai sem dúvida influenciar as políticas ambientais do governo federal americano, seja um passo nesse sentido.