Os Patriarcados Grego Ortodoxo e Católico Romano de Jerusalém emitiram um apelo conjunto alertando para uma catástrofe humanitária, enquanto Israel se prepara para assumir o controlo da Cidade de Gaza. Na sua declaração, os Patriarcas condenaram o cenário que classificam como “às portas do inferno” que se desenrola em Gaza, onde a “mobilização militar massiva” e as ordens de evacuação estão a obrigar centenas de milhares de pessoas, incluindo a minoria cristã, a fugir para sul.
Clérigos e freiras do complexo greco-ortodoxo de São Porfírio e do complexo católico da Sagrada Família declararam que não fugiriam. Afirmam estar a acolher crianças esfomeadass, idosos e pessoas com deficiência, descrevendo a partida como “nada menos do que uma sentença de morte”. Defendem que “não pode haver futuro baseado no cativeiro, na deslocação de palestinianos ou na vingança”.
O seu apelo faz eco das palavras do Papa Leão XIV, que afirmou recentemente:
“Todos os povos, mesmo os mais pequenos e fracos, devem ser respeitados… especialmente o direito de viver nas suas próprias terras; e ninguém pode forçá-los ao exílio.”
Num discurso proferido a 13 de Agosto, o pontífice manifestou profunda preocupação com a crise humanitária em Gaza, alertando:
“A crise humanitária precisa de ser resolvida… precisam de ser libertados. Mas também precisamos de pensar nos muitos que estão a morrer de fome.”
A 17 de Julho de 2025, um ataque israelita à única igreja católica de Gaza, a paróquia da Sagrada Família, matou três civis e feriu dez, incluindo o pároco Padre Gabriel Romanelli. O edifício tinha-se tornado um refúgio para muçulmanos e cristãos, incluindo crianças com deficiência. Israel classificou o ataque como acidental, provocado por disparos inadvertidos de tanques, mas o Patriarcado contestou a informação, afirmando que se tratava de uma grave violação de santuário.
Em resposta, o Patriarca Latino, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, e o Patriarca Ortodoxo Grego, Teófilo III, fizeram uma rara visita pessoal a Gaza no dia 18 de Julho. Levaram centenas de toneladas de ajuda de emergência, coordenaram as evacuações dos feridos e ofereceram solidariedade aos sobreviventes.
Relacionados
9 Jul 26
A guerra, outra vez:
Trump põe fim a cessar-fogo bombardeando o Irão e chamando “escumalha” à Guarda Revolucionária Islâmica.
O cessar-fogo no Golfo colapsou, após Teerão ter respondido à contínua ofensiva israelita no Líbano com ataques à marinha mercante no Estreito de Ormuz e a instalações militares norte-americanas, levando Washington a responder com ataques massivos no território iraniano.
8 Jul 26
Paróquias Vivas
Ousem transformar a sacristia numa sala de ensaios. Ousem abençoar os campos de desporto como se abençoam os altares. Ousem misturar o sagrado e o profano, porque, para Jesus, o que era "profano" tornou-se o lugar privilegiado da Revelação. A crónica de António Justo.
29 Jun 26
Teerão nega alegações de Vance e de outros responsáveis norte-americanos sobre o consentimento iraniano para inspecções nucleares.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão negou as afirmações dos Estados Unidos de que a República Islâmica teria concordado em permitir que inspectores internacionais examinassem as suas instalações nucleares, levantando dúvidas sobre o sucesso das conversações de paz.
26 Jun 26
Irão ataca navio no Estreito de Ormuz, desafiando acordo com os EUA.
Um ataque a um navio comercial no Estreito de Ormuz por parte da Guarda Revolucionária Islâmica aumentou as tensões e lançou dúvidas sobre a sustentabilidade do recente memorando de entendimento entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irão.
24 Jun 26
A brincar com o fogo: Reino Unido testa mísseis de longo alcance para ajudar a Ucrânia a bombardear Moscovo.
Os sistemas experimentais, cada um transportando uma ogiva de 250 kg, poderão alegadamente atingir a capital russa a partir de Kiev. E se isto não é uma declaração de guerra à Rússia, que mais precisa de ser feito para que Moscovo perca a paciência?
22 Jun 26
Ministro da Segurança Nacional de Israel afirma que “todo o Líbano deve arder” em obsceno apelo ao genocídio.
Itamar Ben-Gvir está a apelar a ataques contínuos e intensos contra o Líbano, contrariando o memorando de acordo entre os EUA e o Irão, mostrando o dedo médio a Donald Trump e declarando que “mil mães libanesas devem chorar” por cada morte israelita.






