Donald J. Trump acaba de reverter a ênfase da sua administração (e da sua plataforma eleitoral) no aumento do escrutínio sobre a entrega de vistos a cidadãos chineses que desejam estudar nos Estados Unidos.

Em declarações à imprensa na Sala Oval — acompanhado pelo presidente sul-coreano Lee Jae Myung — Trump sugeriu que o governo federal concederá vistos a 600.000 estudantes chineses. Isso mais do que duplicaria o número de cidadãos chineses autorizados a estudar nos EUA durante o ano lectivo de 2023/2024, que foi estimado em 277.398.

Para espanto daqueles apoiantes que ainda se espantam com as reviravoltas do Presidente que elegeram, Trump afirmou:

“É uma relação muito importante; vamos dar-nos bem com a China. Ouço tantas histórias sobre como não vamos permitir os estudantes deles. Não, vamos permitir que os seus estudantes entrem. Vamos permitir. É muito importante. 600 000 estudantes. É muito importante.”

Mas é importante para quem, exactamente? Não para o seu eleitorado, de certeza. E as prometidas tarifas de 200% sobre os produtos chineses, também são para que os EUA se dêem bem com a China? Este homem é uma desgraça da razão.

 

 

A medida será aparentemente decorrente da necessidade que as universidades americanas têm de estudantes estrangeiros, para sobreviverem. Mas se o mercado universitário norte-americano precisa de estrangeiros para sobreviver, se calhar o melhor é emagrecer, para conseguir viver só com nativos. E assim sempre poupava o mundo à podridão académica que promove.

 

 

No final de Maio, o secretário de Estado Marco Rubio anunciou que o Departamento de Estado começaria a revogar os vistos dos estudantes chineses que frequentam universidades americanas. Quase imediatamente após o anúncio da política, o Ministério das Relações Exteriores do Partido Comunista Chinês (PCC) declarou que a decisão era “discriminatória”.

Numa declaração em vídeo publicada no X, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, descartou as crescentes preocupações com a segurança nacional representadas por cidadãos chineses em instituições académicas dos EUA, que têm sido associados a espionagem e actividades subversivas em vários casos.

Para agravar a confusão em torno da declaração do presidente Trump de que os Estados Unidos irão agora duplicar o número de vistos de estudante detidos por cidadãos chineses, surge o recente anúncio de que a administração irá realizar uma revisão de todos os 55 milhões de vistos atribuídos a estrangeiros.

Não há maneira de esconder o facto: a cada dia que passa, Donald Trump decai mais e mais para o globalismo. Quando foi eleito para o combater.