A China está a aumentar a sua influência sobre o Canal do Panamá, após o fracasso de um acordo proposto entre a luciferina BlackRock e o conglomerado CK Hutchison, com sede em Hong Kong. A falência deste acordo de 23 biliões de dólares, inicialmente recebido com críticas de Pequim, deixa incerto o futuro de dezenas de portos internacionais estratégicos, incluindo dois localizados em cada extremidade do Canal do Panamá.

O acordo original teria transferido a propriedade de 43 portos em 23 países para um consórcio que envolve a BlackRock. Entre eles estavam os portos de Balboa e Cristobal, no Panamá, operados pela CK Hutchison desde 1997.

O presidente Donald J. Trump elogiou o acordo agora fracassado, descrevendo-o como um passo para conter a presença da China na região. Referindo-se ao antigo controlo americano sobre o canal, Trump disse:

“A China está a operar o Canal do Panamá, e nós não o demos à China, demos ao Panamá — e estamos a recuperá-lo”.

Pelos vistos não estão a recuperar coisa alguma. E entre o controlo do Partido Comunista chinês e o controlo da BlackRock, venha o diabo e escolha, literalmente.

O canal foi entregue ao Panamá pelos EUA em 1999, após um tratado de 1977 mediado pelo ex-presidente democrata Jimmy Carter.

Entre a crescente pressão das autoridades chinesas e as preocupações com uma potencial investigação anti-monopólio, a CK Hutchison anunciou esta semana que a sua janela de negociação exclusiva com a BlackRock tinha terminado. No entanto, a empresa deixou a porta aberta para uma futura reestruturação do acordo. Em comunicado, a CK Hutchison afirmou que

“Continuamos abertos a discussões com o objectivo de convidar um grande investidor estratégico da República Popular da China a juntar-se como membro significativo do consórcio”.

A empresa acrescentou que acredita que

“são necessárias alterações na estrutura do acordo e na composição dos participantes para obter a aprovação de todas as autoridades relevantes”.

O analista Dane Chamorro, da Control Risks, sugeriu que, embora a China possa acabar por ficar de fora da quota panamiana do portefólio portuário, poderá ainda assumir o controlo de muitos dos outros activos globais envolvidos.

“A China insistirá que isto seja uma contrapartida: que os outros portos globais tenham uma participação da Cosco. E, obviamente, a Cosco já é um grande detentor global de portos”.