A ex-namorada e proxeneta de Jeffrey Epstein, criminosa condenada e actualmente presa, negou repetidamente ao Departamento de Justiça ter testemunhado qualquer comportamento sexual “inadequado” de Donald Trump, de acordo com registos divulgados na sexta-feira com o objectivo de distanciar o presidente norte-americano do desacreditado e suicidado pedófilo/traficante de menores/mago da alta finança.

A administração Trump divulgou transcrições de entrevistas que o vice-procurador-geral Todd Blanche conduziu com Ghislaine Maxwell no mês passado, enquanto a administração se esforça (o Contra considera que em vão) para se apresentar como transparente face à reacção virulenta da opinião pública à recusa anterior em divulgar um conjunto de registos do infame caso de tráfico sexual.

Os registos mostram Maxwell repetidamente elogiando Trump e negando, sob interrogatório de Blanche, que tivesse observado o magnata de Queens envolvido em qualquer forma de comportamento sexual. Contrastando com a sua política restritiva em relação aos ficheiros do escândalo Epstein e da sua lista de clientes, a administração mostrou-se ansiosa para tornar públicas as afirmações de Maxwell.

De acordo com a transcrição, Maxwell afirmou:

«Na verdade, nunca vi o presidente em nenhum tipo de ambiente de massagem. Nunca testemunhei o presidente em qualquer situação inadequada de qualquer forma. O presidente nunca foi inadequado com ninguém. Nas vezes em que estive com ele, ele foi um cavalheiro em todos os aspectos.”

Maxwell diz que conheceu Trump pela primeira vez em 1990, quando o seu pai, o magnata dos jornais Robert Maxwell, era proprietário do New York Daily News. Ela disse que já tinha estado na propriedade Mar-a-Lago de Trump em Palm Beach, Flórida, às vezes sozinha, mas não via Trump desde meados dos anos 2000.

Questionada se alguma vez ouviu Epstein ou qualquer outra pessoa dizer que Trump “tinha feito algo impróprio com massagistas” ou qualquer outra pessoa do seu círculo, Maxwell respondeu:

“Absolutamente nunca, em nenhum contexto.”

Maxwell foi entrevistada ao longo de dois dias no mês passado por Blanche num tribunal da Flórida. Foi-lhe concedida imunidade limitada, permitindo-lhe falar livremente sem medo de ser processada por nada do que dissesse, excepto no caso de uma declaração falsa.

A divulgação da transcrição representa o mais recente esforço da administração Trump para reparar feridas políticas auto-infligidas, após não ter conseguido cumprir as expectativas que o próprio Trump e muitos dos seus actuais funcionários criaram. Ao tornar públicas estas declarações, a Casa Branca espera satisfazer a revolta e insatisfação das bases, mesmo que temporariamente.

Acontece que esta manobra tem um índice de credibilidade muito próximo do zero, já que após as entrevistas com Blanche, Maxwell foi transferida da prisão federal de baixa segurança na Flórida para um campo de prisioneiros de segurança mínima no Texas para continuar a cumprir uma pena de 20 anos pela sua condenação em 2021 por alegações de que atraiu adolescentes para serem abusadas sexualmente por Epstein e clientes de Epstein. Nem os advogados de Maxwell nem o Departamento Federal de Prisões explicaram o motivo da transferência de Maxwell para uma prisão de segurança mínima, onde pode aceder a vários privilégios de VIP.

Acresce que Donald Trump sugeriu em Julho que pode perdoar a proxeneta, numa lacónica afirmação que nas entrelinhas transmitia uma clara mensagem: se disseres o que me interessa que digas, sairás em liberdade no fim do meu mandato. Ou antes, quem sabe?

Cumprindo com o guião, e as técnicas de manipulação de políticos que aprendeu com a Mossad, Maxwell está a convergir plenamente com as expectativas da Casa Branca.

Convém lembrar que o julgamento desta tenebrosa criatura contou com relatos sórdidos de exploração sexual de meninas de 14 anos, contados por quatro mulheres que descreveram terem sido abusadas na adolescência, na década de 1990 e no início dos anos 2000, nas casas de Epstein.