O Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, questionou a ideia de enviar soldados alemães para a Ucrânia como parte das medidas de segurança ocidentais destinadas a garantir um potencial acordo de paz com a Rússia, classificando a ideia como uma “questão remota” e alertando que “provavelmente sobrecarregaria a Alemanha”.

As garantias de segurança foram um tema central na cimeira de segunda-feira na Casa Branca entre o presidente Donald J. Trump, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e os líderes europeus, enquanto o presidente norte-americano procura mediar um acordo que incentive a Ucrânia a concordar com um cessar-fogo ou um acordo de paz mais amplo com a Rússia.

De qualquer forma, o assunto é estéril: Vladimir Putin nunca aceitaria tropas alemãs na Ucrânia como consequência de um eventual acordo de paz. Mais depressa chegarão as forças militares russas a Kiev.

Antes da cimeira na Casa Branca, Wadephul disse que o facto de a Alemanha não enviar tropas “não significa que não possamos apoiar a Ucrânia de outras formas militares e técnicas”. No entanto, o mais rico membro europeu da NATO parece relutante perante a hipótese de colocar homens no terreno, depois de depender dos EUA para radicalizar a sua hostilidade contra Moscovo, ao mesmo tempo que enriquece a Rússia através de volumosas compras de energia.

Sobre possíveis trocas territoriais na Ucrânia, Wadephul afirmou que as decisões sobre as fronteiras do país devem caber a Kiev, sendo as concessões somente admissíveis se acompanhadas de fiáveis garantias de protecção do território ucraniano — apesar da relutância do seu próprio governo em fornecer tropas. O Ministro dos Negócios Estrangeiros descreveu o papel da Alemanha como o de proporcionar uma dita “liderança política”, afirmando:

“O chanceler Merz conseguiu unir as nações europeias em apoio da Ucrânia, mesmo quando os seus interesses eram diferentes”.

É falso. Os poderes neo-liberais instituídos na Europa – e em todo o Ocidente – já estão unidos contra a Rússia há muito anos. Ainda Merz deambulava pelos corredores da BlackRock.

A Alemanha está a reforçar o orçamento da defesa e a implementar reformas estruturais para aumentar as suas capacidades militares. No seu primeiro grande discurso parlamentar como chanceler, Merz declarou:

“O governo fornecerá todos os recursos financeiros de que as forças armadas alemãs necessitam para se tornarem o exército convencional mais forte da Europa”.

Não é preciso lembrar o que aconteceu ao mundo da última vez que os alemães tiveram o exército convencional mais forte da Europa, pois não?

Enquanto ponderam um regresso ao serviço militar obrigatório, os globalistas germânicos estão a preparar o envio de tropas para a Lituânia, numa primeira missão militar permanente desde a II Guerra Mundial.

Entretanto, o entusiasmo dos alemães pelo serviço militar continua limitado. Uma sondagem divulgada no início deste mês indica que mais de metade dos cidadãos germânicos não estariam dispostos a lutar pelo seu país. Sentimentos semelhantes foram reportados noutros países europeus, como a Itália e a Grã-Bretanha.