Nos alucinados tempos que correm, o Congresso americano tem sido depositário de todo o tipo de alegações bombásticas que envergonham o mais criativo dos escritores de ficção científica.

Os informadores somam-se em quantidades industriais e as suas novelas são cada vez mais delirantes. Um dos últimos e mais bombásticos destes denunciantes, o físico Eric Davis, que trabalhou em projectos altamente confidenciais do Pentágono, foi ao Capitólio jurar a pés juntos que existem quatro espécies de alienígenas a operar na Terra: os ‘cinzentos’, os ‘nórdicos’, os ‘insectoides’ e os ‘reptilóides’.

Uau. Davis esqueceu-se de mencionar as três companhias de circo alienígena na Lua, os 22 acampamentos aracnídeos em Marte e toda uma civilização de lagartixas super inteligentes na periclitante órbita de Saturno.

Mas quanto a provas materiais que sustentem essas narrativas malucas… Zero.

 

 

Entretanto, a representante Anna Paulina Luna (R-FLO) foi ao podcast de Joe Rogan revelar que o governo dos EUA tem conhecimento da existência de “seres interdimensionais”, capazes de se moverem através do tempo e do espaço com agilidade e rapidez olímpica, utilizando tecnologias que estão muito para além da compreensão humana. 

 

 

A mesma senhora, que afirmou nesta circunstância que viu provas do que fala, apelou também à NASA para se meter a caminho sideral do 31Atlas, que apesar de ter todas as características de um cometa, está a ser vendido às massas como uma gigantesca nave espacial, sob a chancela “científica” de Avi Loeb, o mesmo académico de Harvard que já anteriormente tinha prometido à humanidade uma invasão de extraterrestres por via do célebre Oumuamua, que entretanto já foi à sua vida sem deixar qualquer vestígio que comprovasse a teoria.

 

 

A imprensa corporativa tem alinhado entusiasticamente com a história, esquecida já do nojo que durante décadas alimentou relativamente a tudo o que tivesse a ver com OVNIs.

 

 

Na semana passada, nada mais nada menos que a Directora de Inteligência da Casa Branca, Tulsi Gabbard, decidiu contribuir loucamente para a narrativa da Guerra dos Mundos, versão 2.0, quando afirmou no podcast de Miranda Devine que acredita na existência de extraterrestres, deixando que se lesse nas entrelinhas das suas curiosas afirmações que está em posse de informação factual que corrobora a sua convicção, mas que é excessivamente sensível para ser tornada pública.

 

 

Em 2024, o director do AARO, a agência que analisa ocorrências OVNI do Pentágono, testemunhou perante o Congresso que observou e registou “objectos anómalos” que desafiam qualquer explicação. Também em 2024, ficámos a saber que um alegado programa secreto do alto comando militar americano, destinado à recuperação e supressão de dados relativos a OVNIs, tem sido escondido da supervisão do Congresso desde 2017.

Mas nesta altura do campeonato, a administração Trump até podia anunciar formalmente uma invasão alienígena que ninguém perderia o sono por causa disso. São camadas e camadas de fezes de boi. Para alienar e distrair e assustar a audiência global.

Psyop. Tudo isto não passa de uma psyop de cordel.

 

 

Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura