Num desenvolvimento com consequências potencialmente abrangentes e devastadoras, cientistas financiados pela Fundação Bill & Melinda Gates e pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) criaram mosquitos geneticamente modificados, concebidos para disseminar um gene sintético entre populações selvagens — e pretendem libertá-los no ambiente.

 

A publicação do estudo surge depois de investigadores financiados pela Fundação Gates terem criado mosquitos geneticamente modificados que injectam em humanos parasitas causadores da malária, também geneticamente alterados  — levantando sérias preocupações sobre a segurança das populações humanas, o seu consentimento informado e a ausência de dados de saúde a longo prazo.

 

 

Publicado na Nature em 2025, o novo estudo envolve investigadores da Universidade da Califórnia, da Universidade Johns Hopkins e de outras instituições.

Os cientistas utilizaram a edição genética baseada em CRISPR para alterar o genoma do Anopheles stephensi, um importante vector da malária, modificando um único gene conhecido como FREP1.

O CRISPR é uma tecnologia originalmente derivada do sistema imunitário bacteriano que permite aos cientistas cortar e editar o ADN com precisão em locais específicos, possibilitando modificações genéticas direcionadas para aplicações em investigação, medicina e biotecnologia.

O objectivo dos investigadores era, aparentemente, tornar os mosquitos resistentes ao parasita da malária. Mas este não é apenas um ajuste genético pontual.

Os investigadores conceberam um sistema de impulso autopropagante — um mecanismo genético concebido para sobrescrever a versão natural do gene a cada geração. Em condições laboratoriais, a variante sintética FREP1Q espalhou-se para mais de 90% da população de mosquitos em apenas 10 gerações.

Ao introduzir este gene sintético, os investigadores pretendem tornar populações inteiras de mosquitos incapazes de transmitir o parasita, libertando-os no ambiente entre a população selvagem e a “população em livre reprodução” dos insectos.

O objectivo declarado é combater a malária, uma doença que continua a causar centenas de milhares de mortes todos os anos. Mas as consequências da libertação destes mosquitos no ambiente, e  particularmente entre as populações humanas, estão longe de ser totalmente compreendidas.

Um dos aspectos mais preocupantes deste projecto é a natureza irreversível da alteração genética. Uma vez libertados, estes mosquitos são concebidos para acasalar com mosquitos selvagens, disseminando o gene sintético pelas populações naturais sem qualquer forma de o recuperar ou conter.

Isto levanta sérias questões sobre os impactos ecológicos a longo prazo, especialmente se o gene modificado causar efeitos indesejados.

Embora a mutação FREP1Q seja considerada “neutra em termos de aptidão física” em laboratório — o que significa que os mosquitos vivem e reproduzem-se normalmente —, os investigadores observaram algumas diferenças na esperança de vida e na fertilidade em determinadas condições.

Estes podem ser sinais precoces de efeitos negativos subtis que podem surgir plenamente sob as complexas pressões dos ecossistemas do mundo real.

Há também a questão dos efeitos não desejados. A edição genética, especialmente quando implementada à escala de transformação populacional, traz o risco de perturbações genéticas inesperadas. O FREP1 pode ter funções adicionais na fisiologia do mosquito, além de facilitar a transmissão da malária.

Interrompê-lo pode alterar a forma como os mosquitos interagem com outros micróbios, respondem a pressões ambientais ou até mesmo abrir novas portas evolutivas para a doença.

Mais preocupante ainda: este projecto enquadra-se no plano de Bill Gates de transformar os mosquitos em agentes de vacinação da população humana.

 

 

Se o estimado leitor, se a prezada leitora, ainda não estão assustados, terão por certo alta tolerância ao risco.