É a segunda vez em poucas semanas que o Contra insiste na deriva da imprensa independente, mas o assunto merece reposição.
Os líderes de opinião e pundits norte-americanos, e nos tempos que correm principalmente à direita do espectro político, adoram gasear as suas audiências com falsidades óbvias. Graças às maravilhas da inteligência artificial, à desvergonha sensacionalista, à ganância que lhe corresponde, e à sede de vingança do eleitorado republicano, todos os dias são prometidas improbabilidades flagrantes às toneladas: o Barak Obama vai ser preso, a Hillary Clinton vai ser presa (e o marido também), o Joe Biden vai ser preso (só se for num lar), o George Soros vai ser preso, o James Comey (ex-director do FBI) vai ser preso, o John Brennan (ex-director da CIA) vais ser preso. Vão todos dentro, vai ser uma loucura de democratas de alto perfil nos estabelecimentos prisionais americanos.
Reparem só:
E isto no contexto de uma administração que na verdade não só ainda não acusou qualquer bandido do Partido Democrata pelos inúmeros crimes que têm cometido desde 2016 (quanto mais prendê-los), como se está a preparar até para tirar da prisão Ghislaine Maxwell, que percebeu rapidamente que tinha muitos e bons trunfos para chantagear Donald Trump e está a jogá-los com mestria.
Nem é preciso dizer que ninguém vai ser preso coisa nenhuma, não é?
O problema é que esta espúria criação de falsas expectativas só vai enfurecer ainda mais as massas, que no fim deste dantesco processo de desilusão e descrença e revolta podem muito bem virar-se não apenas contra os democratas, mas também contra o próprio aparelho mediático da direita, até aquele que se diz independente e alternativo. Até porque neste momento a qualidade da informação que provém de certos sectores da imprensa dita dissidente é muito parecida com aquela que a CNN ou a NBC oferecem aos seus públicos.
O que não deixa de ser um facto carregadíssimo de uma negra ironia.
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