Donald Trump vai reunir-se com Vladimir Putin, na próxima sexta-feira, no Alasca.
É impossível prever como terminará a cimeira, mas o facto de os dois líderes se encontrarem pessoalmente é um sinal de que o processo de paz pode estar a caminhar na direcção certa. Quanto mais cedo esta guerra terminar, melhor, e as negociações poderão gerar progressos significativos e talvez até uma resolução.
Mas para a imprensa corporativa, a hipótese, mesmo que remota, de um acordo de paz, é uma possibilidade medonha. Repare em algumas das manchetes que têm surgido nos últimos dias.
“Trump corre o risco de parecer mais fraco do que Putin no Alasca — e no palco mundial.”
Mediaite“Trump está a deixar Putin manipulá-lo, outra vez”
The Washington Post“Trump está iludido se acha que o seu encontro com Putin é motivo de celebração”
The Telegraph
Na CNN, a cimeira já é um fiasco antes de acontecer.
Listen to these Trump Deranged psychopaths on CNN who are already calling the peace meeting in Alaska a failure a week before it happens.
I don’t know how Scott Jennings keeps his cool! pic.twitter.com/I12Lecmf2o
— Vince Langman (@LangmanVince) August 10, 2025
A mensagem que os autores destes artigos e os produtores destes segmentos estão a tentar espalhar é que o envolvimento do presidente com a diplomacia é, de alguma forma, uma péssima ideia. O terceiro artigo citado, vindo do ávido e condecorado falcão de guerra John Bolton, diz isto sem rodeios. O encontro entre os dois presidentes pode acabar com a guerra, ou, pelo menos, com o envolvimento dos EUA numa guerra que nada tem a ver com os seus interesses e com os interesses dos americanos: Deus nos livre.
Qualquer líder responsável adoptaria a abordagem de Trump, que até já devia ter tido esta iniciativa mais cedo. Porque é que o presidente americano não pode falar com o seu homólogo russo? Joe Biden tentou a estratégia oposta, que correu super bem, não correu? Em vez de se dar ao trabalho de tentar envolver o Kremlin e pôr fim ao derramamento de sangue na Europa de Leste, a anterior administração optou por rejeitar Moscovo e usar a guerra para promover a sua histérica, estéril e perigosa agenda anti-Putin. Nunca comunicaram com os russos. Nenhuma reunião, nenhum telefonema, nenhuma conversa de bastidores. Isto levou a milhões de mortos e ao fortalecimento da aliança Rússia-China, mas a Casa Branca não quis saber. Tudo o que importava era gabar-se e dar-nos sermões sobre como isso provava a sua aparente superioridade moral.
E mesmo trump tem dado sinais equívocos, ora admoestando Zelensky, ora insultando Putin;. ora garantindo mais dinheiro e armas para a Ucrânia (como se fosse sensato que um auto-proclamado mediador da paz armasse um dos lados da contenda), ora suspendendo esse fornecimento. Está mais que na hora de uma nova abordagem.
Mais uma vez, não sabemos o que resultará desta cimeira. Talvez não resulte nada (é o mais certo). Mas não é esse o ponto. Quer se seja pró-Rússia, pró-Ucrânia ou nem uma coisa nem outra, uma análise honesta da situação mostra que vale a pena tentar a diplomacia. Deveria ter sido a primeira jogada de Washington depois de decidir que precisava de se envolver no conflito desde o início. Poderia ter salvo milhões de vidas. Esperamos que os eventos desta semana corrijam este erro.
Paulo Hasse Paixão
Publisher . Contracultura
Relacionados
9 Mai 26
Os OVNIs de hoje, os OVNIs de ontem e a vontade de poder de sempre.
O fenómeno OVNI não é de agora. Mas enquanto a sua nomenclatura e representação diferem em função do aparelho cultural, tecnológico e mítico de cada era, a instrumentalização pelos poderes instituídos dessa sobrenaturalidade não muda nunca. E está a acontecer outra vez.
8 Mai 26
O Declínio do Modelo Alemão: do “Wirtschaftswunder” ao risco de obsolescência.
A Alemanha não enfrenta apenas uma recessão conjuntural. O que está em causa é algo mais profundo: o esgotamento de um modelo económico que, durante décadas, sustentou o estatuto de “motor da Europa”. A análise de Francisco Henriques da Silva.
8 Mai 26
Giorgia Meloni critica deepfakes “sensuais” divulgados por “adversário fanático”.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, abordou a ameaça transformista dos deepfakes, depois de imagens geradas por inteligência artificial que a retratavam em lingerie terem circulado online.
7 Mai 26
Transgenerismo “não é doença”, mas exige actualização científica: a incoerência perigosa de Zélia Figueiredo
Num recente debate na RTP sobre identidade de género e transexualidade, a psiquiatra Zélia Figueiredo defendeu o modelo de afirmação de género em menores. As suas declarações revelam contradições profundas que merecem escrutínio público. O contraditório de Maria Helena Costa.
7 Mai 26
Rockfellers, Bill Gates e Jeffrey Epstein: pandemia e esterilizações forçadas.
Em Junho de 2014, Jeffrey Epstein enviou um email a Bill Gates com uma proposta sinistra: "Por que não fazemos algo radical, disruptivo. A Saúde Global poderia avançar em saltos em vez de passos." Marcos Paulo Candeloro disseca o programa luciferino.
7 Mai 26
Bilinguismo: um Capital Cultural que Amplia a Consciência.
As crianças bilingues crescem com uma consciência ampliada. Desde cedo compreendem que as palavras e a realidade não são coincidentes, que existem diferentes formas de ver o mundo e que é possível pertencer a mais do que um universo cultural. Um ensaio de António Justo.






