A areia da ampulheta vai terminando nesta nossa aventura em busca do Apóstolo Paulo, dos locais onde esteve e da influência que exerceu ao longo da sua vida, muito em especial nas suas viagens missionárias.

A caminho de Esmirna, uma das últimas extensas viagens de carro, paramos em Filadélfia que também foi contemplada com uma carta que veio a fazer parte do livro de Apocalipse.

 

 

A igreja que existiu em Filadélfia não tem grandes vestígios arqueológicos, apesar da mensagem forte nas cartas ás igrejas da Ásia Menor, mas era dia de visitar e gravar na cidade, que significa atualmente “amor fraternal”, mas que tem uma origem bem mais curiosa.

A urbe foi fundada em 189 a.C. pelo rei Eumenes II de Pérgamo. Uma vez que não tinha herdeiros, ele batizou a cidade em honra do seu irmão, que seria seu sucessor, Átalo II, cuja lealdade lhe valeu o apelido de “Philadelphos”, que significa literalmente “alguém que ama seu irmão”.

Uma vez que as novas cidades foram construídas por cima do que restava de Filadélfia, a zona protegida é pequena, mas tem umas enormes colunas de uma igreja do século V e que de forma curiosa atesta uma das grandes promessas a quem ouvisse o que o Espírito dizia à igreja nas cartas. Filadélfia, caso continuasse a ser fiel, ia ser uma coluna na casa de Deus.

 

 

A comunidade cristã deste lugar achava que era pequena, frágil e sem qualquer relevância e isso mesmo está espelhado pela mão de João:

“Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; porque tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome…”
Apocalipse 3:8

Mas nesta época de “likes”, “partilhas” e satisfação instantânea, Filadélfia representa o oposto.

Representa o anónimo que se mantém fiel independentemente das circunstâncias.

Representa o anónimo que continua no Caminho, apesar das contrariedades.

Representa o anónimo que não precisa de reconhecimento e aplausos para fazer o que tem que fazer.

 

 

Filadélfia mostra-nos que não são números, nem multidões, nem fama, que nos salvam mas sim o perseverante caminhar na Fé e no Amor. E quando colocamos a nossa vida espiritual em contraste com o que encontramos aqui, então podemos desenvolver a nossa relação com o Criador de uma forma saudável e consistente, e com isso alcançar duas das maiores recompensas dadas a quem ouvir o recado, “…uma porta aberta que ninguém consegue fechar…” e “…eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá…”

Nada mau para quem os outros achavam que era fraca!

Mais uns grãos de areia passam na ampulheta e já o fim se vai mostrando, mas para já Esmirna, de carro, e depois, uma vez mais Istambul, de avião.

 

 

JOÃO NUNO PINTO

_________

JOÃO NUNO PINTO NA ROTA DE PAULO
INTRODUÇÃO: UM INTINERÁRIO SAGRADO, ENTRE A GRÉCIA E A ÁSIA MENOR
CAPÍTULO I . A JORNADA COMEÇA: PORTA DA EUROPA
CAPÍTULO II . FILIPOS: A AMADA E GENEROSA
CAPÍTULO III . TESSALÓNICA A TODA A VELOCIDADE, MAS COM PROPÓSITO
CAPÍTULO IV . NOS LUGARES ALTOS DA HISTÓRIA
CAPÍTULO V . DELFOS: PAGANISMO E PROPAGANDA
CAPÍTULO VI . CORINTO: UM APÓSTOLO QUE RACIOCINA?
CAPÍTULO VII . ATENAS SEDUZ
CAPÍTULO VIII . ADEUS EUROPA
CAPÍTULO IX . AINDA E SEMPRE: CONSTANTINOPLA
CAPÍTULO X . DE MALAS FEITAS PARA ESMIRNA
CAPÍTULO XI . BASE EM KUSADASI, OLHOS POSTOS EM PÉRGAMO
CAPÍTULO XII . TIATIRA E SARDE: AVISOS À NAVEGAÇÃO
CAPÍTULO XIII . ÉFESO E LAODICÉIA: DA PERCEÇÃO À REALIDADE.
CAPÍTULO XIV . PAMUKKALE E HIERÁPOLIS EM BALÃO