“Estas são as pessoas que estamos a desumanizar, que estamos a matar em massa. Que estamos a privar de comida e de água. Que estamos a torturar, de certa forma, porque não estão a comer nada. E estamos a chamar-lhes a todos Hamas… Eu vi com os meus próprios olhos. Nem toda a gente é Hamas… O Hamas está entre a população? Claro que sim. Mas isso não significa que toda a população seja Hamas… nós tratamo-los como animais sem dignidade.
À medida que os civis chegam aos locais, as Forças de Defesa de Israel disparam sobre eles. Metralhadoras. Morteiros. Projécteis de tanques. Artilharia. Tenho tudo isto em vídeo… estão a disparar no escuro contra milhares de pessoas. Quando o sol nasce e os corpos estão espalhados pela estrada, as Forças de Defesa de Israel dizem: ‘Ah, não fizemos isso’. A sério?”

Tony Aguilar . Boina Verde das Forças especiais dos EUA (na reserva). Tucker Carlson Show . Julho 2025

 

As acusações de que o governo israelita está a cometer genocídio em Gaza estão a tornar-se cada vez mais comuns.

Nos EUA, Marjorie Taylor Greene tornou-se recentemente a primeira congressista republicana a afirmar o facto. E figuras proeminentes da vida pública americana, como os professores John Mearsheimer e Jeffrey Sachs, o Juiz Napolitano, os jornalistas Tucker Carlson, Clayton Morris e Glenn Grewald, os coronéis Lawrence Wilkirson e Douglas Macgregor, entre muito outros, têm dito o mesmo, repetida e inequivocamente.

Por seu lado, os defensores de Israel em Washington usam pedras, por vez de argumentos. John Fetterman deu o exemplo na quarta-feira, afirmando a propósito das declarações de Taylor Greene:

“Sinceramente, não me importo com o que essa maluca pensa. Não é um genocídio, simplesmente não é o caso. E ela tem direito à sua opinião, mas eu tenho o direito de não me importar com a opinião dela sobre isso.”

Além de lançar um clássico ataque ad hominem, Fetterman envolveu-se num debate semântico sobre a palavra “genocídio”, em vez de se dar ao trabalho de reconhecer o facto de que o dinheiro dos contribuintes americanos está a financiar o assassinato de crianças, já para não falar no rebentamento de igrejas cristãs, em Gaza. Esta estratégia não é acidental.

O termo “Genocídio” tem uma definição muito específica. É a seguinte, de acordo com as Nações Unidas:

“Um acto cometido com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso.”

Ou, de acordo com o Departamento de Justiça norte-americano:

“A matança deliberada de um grande número de pessoas de uma nação ou grupo étnico específico com o objectivo de destruir essa nação ou grupo.”

Com base nestas definições, o uso da palavra por Greene parece deveras adequado. Israel, seja pela lei da bala ou pela fome e a destruição apocalítica que está a promover em Gaza, cumpre com os critérios, em absoluto.

Mas em vez de tentarem defender as acções do governo israelita, que são na verdade indefensáveis, os Fettermans deste mundo preferem brincar com as palavras e insultar quem os contraria, procurando assim diluir o foco sobre o comportamento abominável do governo de Netanyahu e a inegável culpabilidade de Washington, que o suporta.

E é claro que podemos chamar ao que está a acontecer na Palestina aquilo que quisermos. Genocídio, limpeza étnica, matança indiscriminada ou qualquer outra coisa. Independentemente da terminologia preferida, a realidade continua a ser a mesma: dezenas de milhares de inocentes estão mortos e milhões de vidas foram destruídas.

E a administração Trump não foi eleita para sustentar tais horrores. Isso é certo.

 

 

Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura