O vice-presidente J.D. Vance criticou as Big Tech por se terem aproveitado do programa de vistos H1-B para despedir trabalhadores americanos e contratar uma multidão de imigrantes.

No Fórum Hill and Valley, Vance afirmou:

“Vemos algumas grandes empresas tecnológicas a despedirem 9.000 funcionários e depois a solicitar vários vistos internacionais. E eu pergunto-me se isso faz muito sentido. Esta deslocação e esta matemática preocupam-me um pouco. E o presidente disse muito claramente: ‘Queremos que os melhores e mais brilhantes façam da América a sua casa. Queremos que construam grandes empresas’ e assim por diante. Mas não quer que as empresas despeçam 9.000 trabalhadores americanos e depois digam: ‘Não conseguimos encontrar trabalhadores aqui na América’. Essa é uma história de merda.”

As declarações do vice-presidente americano relacionam-se certamente com o facto da Microsoft ter anunciado no início de Julho que iria despedir 9.000 funcionários.

Um dos apresentadores do Hill and Valley Forum perguntou directamente a Vance:

“O que é que lhe disseram quando mencionou isto à Microsoft?”.

Vance riu-se e admitiu que se referia a esta empresa, acrescentando que, apesar de ter despedido 9 mil empregados, a empresa “diz que está desesperada por funcionários”.

 

 

O vice-presidente está certo em denunciar o cinismo das políticas de recrutamento das tecnológicas. Mas tão ou mais preocupante que a substituição de nativos americanos por estrangeiros no mercado de emprego americano será a substituição de seres humanos pelas tecnologias de inteligência artificial, automação e robótica que está em curso por toda a parte. Acontece que Vance, discípulo de Peter Thiel e intimamente ligado aos senhores do universo do eixo Wall Street – Silicon Valley, grande motor do transhumanismo contemporâneo, que é a versão mais actualizada e sinistra do globalismo, não considera o assunto pertinente.

Porque foi a política – e não os princípios – que presidiram a estas declarações.