Donald Trump, eleito como o ‘presidente da paz’, parece empenhado em conduzir-nos a todos alegremente na direcção da terceira guerra mundial.

O ego do presidente americano é de tal forma monstruoso, que, por causa de dois posts que Dimitry Medved, o chefe do conselho de segurança do Kremlin, publicou no X e no Telegram, de que Trump não gostou (apesar de serem deveras assertivos), decidiu subir a parada nuclear a um ponto a partir do qual será difícil recuar.

Depois dos constantes ultimatos e ameaças de sanções, que ora seriam decretadas a 50 dias, ora a 10 dias; que seriam constituídas por 500%, 100% ou 50% de direitos alfandegários em exportações para os EUA sobre todos os países que comprassem petróleo à Rússia, Medved publicou isto no X:

“Trump está a jogar aos ultimatos com a Rússia: 50 dias ou 10… Ele deve lembrar-se de 2 coisas:
1 – A Rússia não é Israel ou até o Irão:
2 – Cada novo ultimato é uma ameaça e um passo na direcção da guerra. Não entre a Rússia e a Ucrânia, mas com o seu próprio país. Não desça pela estrada doJoe soneca!”

 

 

No mesmo dia, Medvedev alertou o Presidente americano, no Telegram, para o sistema da “mão morta” que os russos têm activado desde a guerra fria e que espoleta um ataque nuclear automaticamente, caso a liderança russa seja neutralizada por forças inimigas.

 

 

Em resposta, Trump publicou no Truth Social esta mensagem:

“Com base nas declarações altamente provocatórias do ex-Presidente russo, Dmitry Medvedev, agora vice-presidente do Conselho de Segurança da Federação Russa, ordenei o posicionamento de dois submarinos nucleares nas regiões apropriadas, para o caso de estas declarações tolas e inflamatórias serem mais do que apenas isso. As palavras são muito importantes e podem muitas vezes levar a consequências indesejadas. Espero que este não seja um desses casos.”

 

 

Por “regiões apropriadas”, devemos entender as proximidades de Kaliningrad, o enclave russo no báltico e, talvez a incursão no golfo da Finlândia, que dá acesso a S. Petersburgo e cujas águas, nesta altura do ano, serão navegáveis.

 

 

Horas depois, Donald Trump e Vladimir Putin falaram à imprensa. A loucura e a fanfarronice de um contrasta gritantemente com a moderação e a sensatez do outro.

Enquanto o ensandecido presidente americano anunciou que está “totalmente preparado para uma guerra nuclear com a Rússia”, como se alguém neste mundo estivesse alguma vez preparado para um apocalipse deste género, Vladimir Putin, sem referir ou atacar o presidente americano, voltou a afirmar que a paz na Ucrânia depende da resolução dos problemas geoestratégicos que justificaram a operação militar russa, acrescentando:

“As desilusões surgem quando temos demasiadas expectativas, a paz requer diálogo real, não espectáculo para as câmaras.”

As diferenças de tom entre um chefe de estado sensato e um egomaníaco, o contraste entre a irresponsabilidade e a moderação são mais que evidentes. Só não vê quem não quer ver.

 

 

É verdade que a decisão de Donald Trump de destacar dois submarinos nucleares para regiões mais próximas do território russo não será, no sentido estratégico, tão relevante como isso, porque o sistema nuclear americano  tem capacidades intercontinentais e porque, de qualquer forma, a Rússia estará sempre ao alcance da frota que os EUA mantêm no Báltico.

As declarações do inquilino da Casa Branca, no entanto, têm relevância política inegável e contribuem para um aumento das tensões entre o Ocidente e a Rússia, que já estão neste momento a um nível praticamente insustentável. Guerras houve que começaram por muito menos, como sabemos.

Até porque os russos terão necessariamente que reagir a esta retórica ameaçadora. Basta pensar naquela que seria a reacção norte-americana se Vladimir Putin dissesse que tinha destacado dois submarinos nucleares para o largo de Nova Iorque ou de Los Angeles.

Entretanto, como mestre do troll em que sem dúvida se tornou, Medvedev já respondeu à fúria de Trump, com este post absolutamente bombástico, em que afirma:

“Trump não deve pensar que o arquivo vídeo das suas imoralidades passadas está apenas nas mãos da Mossad.”

 

 

Trolling à parte, Scott Ritter comenta, nesta conversa com o Juiz Napolitano, a circunstância extremamente perigosa em que nos encontramos neste momento. Vale a pena ouvi-lo.