Um médico sírio de 56 anos que vive e trabalha na Alemanha foi condenado a quatro anos e três meses de prisão por ter violado uma menina de 14 anos no seu consultório, localizado num hospital da Baixa Saxónia.

O veredicto foi proferido pelo Tribunal Regional de Osnabrück na quinta-feira, após um julgamento realizado em grande parte à porta fechada para proteger a vítima menor de idade.

Tal como foi noticiado pela NDR, o tribunal concluiu que o médico, um cardiologista que trabalha na Clínica Schüchtermann em Bad Rothenfelde, conheceu a adolescente através de uma chatroom na Internet. Em Dezembro de 2023, foi buscá-la à Estação Central de Osnabrück e trouxe-a para a clínica por uma entrada lateral durante o seu turno de fim de semana.

De acordo com o acórdão judicial, o médico amordaçou com fita adesiva e violou a menina várias vezes no seu consultório, apesar dos protestos e das expressões de dor da mesma. Após a agressão, deu-lhe 100 euros e acompanhou-a de volta à estação de comboio (terá dito aos colegas que se ausentou para cuidar da sua esposa doente). A menina relatou o incidente à polícia nessa mesma noite.

A adolescente não era paciente da clínica. Os procuradores descreveram como o médico criou um falso pretexto para deixar as suas funções e ficar sozinho com ela, chegando mesmo a pedir a uma enfermeira que encontrasse fita adesiva sob o pretexto de administrar um soro intravenoso à sua mulher.

O médico negou ter violado a menina, mas admitiu ter tido contacto sexual, alegando que foi consensual. O seu advogado argumentou que a vítima nunca manifestou objecção e questionou a fiabilidade do seu relato, sugerindo que a terapia a que foi sujeita antes do julgamento podrá ter influenciado o seu depoimento. “Influências sugestivas estão bem estabelecidas em tais terapias”, disse, alegando também que a menina pode ter agido por medo dos pais.

Apesar destas alegações, o Tribunal considerou o depoimento da queixosa consistente e credível. Os juízes concluíram que o homem tinha violado e ferido a vítima, que tinha manifestado claramente a sua relutância durante o encontro. Os pais da menina rejeitaram várias ofertas de acordo financeiro, incluindo uma de 12.000 euros.

Inexplicavelmente, a pena estipulada foi significativamente inferior ao máximo de 15 anos permitido pela lei alemã para tais crimes (menos de um terço desse período). O médico tem uma semana para recorrer.

De acordo com as estatísticas da polícia alemã, os crimes violentos e os casos de agressão sexual continuaram a aumentar em 2024, bem como o número de suspeitos de origem imigrante. A taxa de criminalidade dos imigrantes provenientes do norte de África está a subir em flecha no país, com marroquinos e tunisinos a serem responsáveis, em média, por um homicídio em cada seis dias e as violações a registarem um aumento de 169%.

Ainda assim, uma mulher nativa de 20 anos foi condenada a pena de prisão, no ano passado, depois de ter feito comentários “odiosos” dirigidos a um imigrante que esteve envolvido na violação em grupo de uma criança de 14 anos. Dos 9 violadores condenados apenas um teve uma pena mais severa do que ela.