Depois de mais uma madrugada entregue de mão beijada para um voo de uma hora, aterramos em Esmirna, mas distraído nem me apercebi que não era na capital desta região turca que iríamos “montar a tenda”. Sei que temos que cá vir, é passagem obrigatória, mas vamos para um local que vai servir de unguento para as nossas cansadas pernas e nos vai ajudar a restaurar a energia necessária para esta fase da viagem. Seu nome, Kusadasi. E meus caros companheiros virtuais de viagem, foi um por do sol magnifico que fechou o nosso dia de transição.

 

 

Nesta série que acompanha os passos do Apóstolo Paulo que estamos entusiasmadamente a filmar, colocamos a nossa atenção para 7 cartas especiais, escritas para 7 igrejas especiais, situadas nesta região que então se chamava Ásia Menor e que foram escritas não por Paulo, mas pelo discípulo amado João. E alguns podem questionar a escolha, mas Paulo está presente em tudo. A escassos 16 quilómetros do hotel de onde vos escrevo esta crónica está Éfeso onde Paulo esteve 2 anos, onde Paulo foi preso, onde os idolatras se levantaram no teatro e clamaram contra Paulo dando louvores em histeria coletiva “Viva a grande Diana de Éfeso”. Sim, Paulo esteve, está e sempre estará aqui nas igrejas da Ásia Menor.

 

 

O roteiro utiliza uma lógica de distâncias, tanto quanto posso entender, daí começarmos pela cidade à qual só chegámos depois de três horas de estrada. Pérgamo.

 

 

A cidade surge no topo de um monte, daí e com alguma naturalidade o seu nome significar altura, elevação e não só foi uma cidade importante na sua época como a sua origem está gravada na história da Humanidade; afinal Pérgamo nasce da vontade de um dos quatro generais de Alexandre, o Grande, que dividiram o império deixado vago pela prematura morte do jovem imperador. Lisímaco governou esta região, bem como a Trácia e a Macedónia durante duas décadas.

 

 

A carta a Pérgamo não é “pera doce”. Fala de martírio e perseguição, fala do trono de satanás e de desvios doutrinários, mas fala de ser fiel e integro até ao fim. Pérgamo é das igrejas que recebe uma recompensa final.

 

 

Demonstra ainda hoje que apesar de pressões externas é possível ser fiel. Demonstra que apesar de existir doutrina falsa é possível manter a sã Escritura em nossas vidas. Demonstra que se o nosso culto for ao Único e Verdadeiro Deus, e não a imperadores, reis, políticos, artistas, desportistas e por aí em diante, então sim seremos dignos de estar no seu seio.

 

 

Isso e muito mais falaremos nos episódios da série que avidamente estamos a criar. O que o leitor não saberá é das minhas más ou mesmo muito más escolhas. Por isso aqui vai; em Pérgamo está situado o mais inclinado teatro da história da civilização humana e o vosso anfitrião de viagem achou que a intervenção final ficaria bem filmada, mesmo lá em baixo, para se ver a dimensão do teatro. Contexto, 37º sem sombra e se para baixo “todos os santos ajudam” para cima só com um guindaste que curiosamente não havia. Esqueçam a via Dolorosa e conheçam a Escadaria Tortuosa! Enfim. Cada um com a sua.

 

 

Ainda antes de regressar ao hotel fomos filmar aquilo que alguns consideram como um dos primeiros complexos hospitalares da história, dedicados especificamente a uma especialidade, no caso a medicina mental, Asklepion ou Esculápio no nosso português. Este complexo era mais do que apenas um hospital; era um local de tratamentos diversos, que incluíam terapias como banhos em águas minerais, música e interpretação de sonhos. O famoso médico grego Galeno, considerado um dos mais proeminentes médicos e provavelmente o primeiro anatomista da antiguidade, começou sua carreira aqui. Eu só me consegui lembrar do salto orçamental que o nosso Ministério da Saúde teve nos últimos anos e que nem por isso resolve urgências, obstetrícias, cuidados paliativos… é melhor parar.

 

 

Continuamos a nossa saga paulina com a certeza de que a cada dia, a cada passo, a cada episódio não só as pegadas do Apóstolo, mas acima de tudo o seu espírito de missão é sentido por cada um de nós e, se Deus quiser, por cada um de vocês a cada episódio que assistam.

 

 

JOÃO NUNO PINTO

 

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JOÃO NUNO PINTO NA ROTA DE PAULO
INTRODUÇÃO: UM INTINERÁRIO SAGRADO, ENTRE A GRÉCIA E A ÁSIA MENOR
CAPÍTULO I . A JORNADA COMEÇA: PORTA DA EUROPA
CAPÍTULO II . FILIPOS: A AMADA E GENEROSA
CAPÍTULO III . TESSALÓNICA A TODA A VELOCIDADE, MAS COM PROPÓSITO
CAPÍTULO IV . NOS LUGARES ALTOS DA HISTÓRIA
CAPÍTULO V . DELFOS: PAGANISMO E PROPAGANDA
CAPÍTULO VI . CORINTO: UM APÓSTOLO QUE RACIOCINA?
CAPÍTULO VII . ATENAS SEDUZ
CAPÍTULO VIII . ADEUS EUROPA
CAPÍTULO IX . AINDA E SEMPRE: CONSTANTINOPLA
CAPÍTULO X . DE MALAS FEITAS PARA ESMIRNA