São dias diferentes os de Istambul. Sabemos que em relação ao programa televisivo vão ser episódios de história e curiosidade, mas não há uma ligação direta ao Apóstolo Paulo, mas sim uma sequência histórica que liga o paganismo helénico a um dos últimos redutos cristãos desta zona geográfica.

 

 

E comecemos mesmo por aí. Não é de todo fácil visitar Santa Sofia, que significa “Sagrada Sabedoria”, em turco Ayasofya, oficialmente Grande Mesquita de Santa Sofia e que era a maior igreja cristã da sua época, por ser uma espécie de museu de um cristianismo que já teve o seu apogeu. Não me quero debruçar muito sobre o tema mas penso que o secularismo ocidental tornou inevitável alguns destes desfechos. Já o facto de construírem mesquitas onde antes foram igrejas, a história faz questão de nos dizer categoricamente que era prática comum de ambos os lados.

 

 

Fomos filmar e falar das famosas muralhas de Constantinopla que muito serviram para manter a cidade inviolável até ao momento da sua queda. Almoçamos “dentro” delas num curioso compromisso entre a atividade privada e a preservação de um bem cultural e histórico importante.

 

 

De seguida, um salto ao miradouro Pierre Loto onde uma soberba vista da cidade nos faz entender o quão estratégico o curso das águas era no contexto da cidade doutros tempos, mas também a importância que tem na cidade ainda hoje.

 

 

No bairro Balat somos recebidos por uma sinfonia de cores e formas que servem um pouco para quebrar a rotina da cidade “normal” e dos seus prédios sem grande personalidade. Aqui não. Até as portas falam por si mesmas.

 

 

Uma volta ao mercado das Especiarias, que entre uma miríade de coisas vende também especiarias. Do artesanato ao ouro, dos tecidos aos chás, nestes bazares encontramos meio mundo. Saltam para a linha da frente os odores mais diversos. Não sei se chás, se especiarias, se ingredientes libertam um perfume qualquer feito à medida do cliente, como eles tanto gostam, mas é um aroma que domina tudo.

 

 

Terminamos esta passagem por Istambul com um passeio de duas horas de iate pelo Bósforo, onde deu para ver a cidade a partir das águas, mas o que vimos foram dois continentes ali tão perto, mas ao mesmo tempo tão afastados um do outro. Enquanto navegamos imagino Paulo a caminho de Neopolis para colocar pela primeira vez o pé no continente europeu, com uma mensagem de rotura. Rotura com tradições, culturas, mitos e superstições.

 

 

Paulo não tinha tempo a perder e nós também não. Por isso, daqui a quatro horas vamos para Izmir, ou Esmirna.

 

JOÃO NUNO PINTO

 

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JOÃO NUNO PINTO NA ROTA DE PAULO
INTRODUÇÃO: UM INTINERÁRIO SAGRADO, ENTRE A GRÉCIA E A ÁSIA MENOR
CAPÍTULO I . A JORNADA COMEÇA: PORTA DA EUROPA
CAPÍTULO II . FILIPOS: A AMADA E GENEROSA
CAPÍTULO III . TESSALÓNICA A TODA A VELOCIDADE, MAS COM PROPÓSITO
CAPÍTULO IV . NOS LUGARES ALTOS DA HISTÓRIA
CAPÍTULO V . DELFOS: PAGANISMO E PROPAGANDA
CAPÍTULO VI . CORINTO: UM APÓSTOLO QUE RACIOCINA?
CAPÍTULO VII . ATENAS SEDUZ
CAPÍTULO VIII . ADEUS EUROPA
CAPÍTULO IX . AINDA E SEMPRE: CONSTANTINOPLA