Já cá tinha estado. em Istambul, mas por este ou aquele motivo foi sempre “toca e foge” e não tinha guardado nenhuma memória em especial a não ser, talvez, o caos do aeroporto que apesar da nossa chegada ao raiar do dia, nos brindou com uma valente fila para passaportes e demais questões.

Instalar-nos nos quartos do hotel que vai servir de base de operações nos próximos dias, ver os arredores do hotel para aquelas ferramentas que podem ser necessárias do “pé para a mão”, estilo mercearia ou farmácia, e tentar descansar e recuperar de quase 24 horas seguidas em constante movimento e mudança.

 

 

A primeira impressão que tenho e que me causa estranheza, é a quantidade de bandeiras turcas hasteadas por tudo e mais alguma coisa, de todos os tamanhos, chegando mesmo ao gigantesco. Reparo que as entidades oficiais fomentam, mas o povo parece acolher de bom grado esta manifestação de patriotismo.

Enfim. Enquanto alguém nascido em Angola em 72 e que só de lá saiu em 79/80, sinto um deja vu e recordo as incessantes avenidas pejadas com bandeiras, como se a resolução de questões necessárias para o bem-estar do povo fosse proporcional ao número de bandeiras.

Este é outro dos locais onde Paulo poderá não ter estado, mas com certeza terá tido conhecimento e poderá inclusive ter solicitado a algum dos seus discípulos que aqui viesse.

 

 

Mas as ligações ao nosso programa por acaso até podem ser encontradas na origem desta cidade, uma vez que segundo a tradição é um príncipe de uma cidade-estado grega, Mégara, que navega até estas águas após uma consulta ao oráculo de Apolo em Delfos. Seu nome? Bizas.

Noutra vertente, talvez o facto de representar um último bastião cristão que resistia ao avanço dos árabes islamizados e se tornou num símbolo de resistência. Não sei, mas parece-me um lado a explorar nos episódios dedicados a esta cidade.

Há uma mudança na nossa estratégia de filmar. Em Atenas filmávamos às primeiras horas do dia exteriores, descansávamos um pouco, a meio da tarde filmávamos interiores de museus e finalmente só voltávamos a exteriores por volta das 18h00 ou 19h00 para nossa salvaguarda física, obviamente, sem nunca esquecer o objetivo final. Aqui as temperaturas são mais amigas, uma brisa tem soprado e refresca, mas a existência de abundante vegetação que produz sombras que valem ouro permite que façamos um dia “normal” de filmagens.

 

 

A sequência de locais ontem foi aleatória, se era mais a conveniência geográfica que o roteiro de uma história a contar. Iniciei na Ponte Galata com uma intervenção onde falo de impérios que nascem aqui, outros que tentam evitar a sua decadência aqui, falo de olhar e não ver, falo de um lado Europa e do outro Ásia e para que lado esta porta gira.

Seguimos para o Palácio TopKapi de onde reconhecemos pela paisagem que o mesmo tem a importância estratégica que esta localização tinha. E assim de repente era hora de almoçar.

 

 

Após umas iguarias típicas e finalizado com o omnipresente chá fomos até ao Hipódromo que tem dois obeliscos milenares e faz-me lembrar como esta estratégia do “pão e circo” com jogos e entretenimento é utilizada ainda hoje. Imagino Paulo a pensar na perda de tempo que representava tudo aquilo.

Seguimos para a Mesquita Azul, um dos principais ícones da cidade onde acabei por aprender que para sermos mais exatos não é uma mesquita, mas sim um Complexo da Mesquita Azul, pois albergava e alberga uma mão cheia de serviços adicionais.

 

 

Queríamos ir para o Grande Bazar mas já estava fechado. Após considerações seguimos para a Cisterna da Basílica que é uma das mais engenhosas formas de gestão hídrica que alguma vez existiu. Eram mais de 100 por toda a cidade o que, aliado à sua posição estratégica e às suas muralhas tornavam Bizâncio, Constantinopla, quase inexpugnável. Mas não foi assim.

Constantinopla caiu, ou foi deixada cair. O resto é história.

 

JOÃO NUNO PINTO

 

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JOÃO NUNO PINTO NA ROTA DE PAULO
INTRODUÇÃO: UM INTINERÁRIO SAGRADO, ENTRE A GRÉCIA E A ÁSIA MENOR
CAPÍTULO I . A JORNADA COMEÇA: PORTA DA EUROPA
CAPÍTULO II . FILIPOS: A AMADA E GENEROSA
CAPÍTULO III . TESSALÓNICA A TODA A VELOCIDADE, MAS COM PROPÓSITO
CAPÍTULO IV . NOS LUGARES ALTOS DA HISTÓRIA
CAPÍTULO V . DELFOS: PAGANISMO E PROPAGANDA
CAPÍTULO VI . CORINTO: UM APÓSTOLO QUE RACIOCINA?
CAPÍTULO VII . ATENAS SEDUZ
CAPÍTULO VIII . ADEUS EUROPA