O Tom Sarti, do Saindo da Bolha, primeiro amigo do ContraCultura, deixou-nos a sós com a insanidade deste mundo, a 15 de Julho. Fica um breve tributo de Marcos Paulo Candeloro e Paulo Hasse Paixão.
Aprender com o Tom.
Falar sobre o Tom é complicado. Não porque seja difícil, mas porque vale um livro. O conheci como a maior parte das pessoas, ouvindo-o. Um belo dia nos idos de anos antes da pandemia, um fortuito algoritmo entregou-me um podcast de sugestão: Saindo da Bolha. Dei uma chance ao acaso, vai que… e foi! Com um vozeirão de grizzly (urso), ele dizia que se tratava de um podcast limpinho, de direita e que abomina o politicamente incorreto. Parecia feito sob encomenda. Não é só que eu concordava com ele, eu tinha aulas com o Tom. Adotei bordões que ele usava. Pingado não é seco, meu amigo.
Um belo dia, entrei em contato. Não me lembro o motivo. Batemos papo a madrugada inteira. A gente era da turma que via o sol raiar para ir dormir. Quantas ideias, quantas piadas e quanto precioso tempo foram nessas conversas.
O Tom era o cara que, mesmo quando estava falando groselha, estava ensinando. O SdB está na minha playlist há mais tempo que consigo lembrar. Tom Sarti, todavia, não foi amigo tempo suficiente. Foi cedo demais. Repentino demais. Porra, no meio de um projeto sensacional, que era a cara dele. No meio dessa zona que o pais está, não tenho seus sábios conselhos. Nem o Brasil. Talvez, Deus o tenha poupado do pior deste circo.
Só tenho boas memórias e gratidão. Deus o tem em um bom lugar. Porra, se um cara como o ‘seu Saindo da Bolha’ não tá em alta conta com o Pai, a gente tá bem fodido. Por aqui, fará falta.
Para quem não conhece o seu legado, acesse o @SaindodaBolha, adquira um de seus ebooks, que são fantásticos.
Marcos Paulo Candeloro
Adeus, amigo. Que Deus te guarde no mais terno abraço.
Recebi com choque e desgosto a notícia da morte, súbita e inexplicável, de Tom Sarti, o meu amigo brasileiro (ganhei uns quantos por causa do Contra, nos últimos anos) com quem nunca estive pessoalmente, mas com quem partilhei inúmeras conversas e confissões.
Estou desolado e magoado como se tivesse levado um enxerto de porrada.
O Tom era uma pessoa mais que amável, mais que generosa e mais que sábia: era uma joia, um tesouro, na lixeira deste mundo.
Deixa-me aqui, do outro lado do Atlântico, nesta excruciante solidão de já não o ter.
No ano passado, deu-me a honra de deixar de ser o anónimo e brilhante comentarista do ‘Saindo da Bolha’ para revelar a sua identidade e a sua fisionomia ao mundo, num podcast inesquecível que tive o prazer de gravar e publicar no Contra.
Não voltámos a gravar mais nenhuma destas conversas por minha culpa, na verdade. Porque não tive tempo ou porque tive preguiça ou por isto ou por aquilo, seja como for arrependo-me agora de não ter estado mais perto dele, de não ter trocado com ele mais ideias e revoltas, mais sonhos e conspirações, mais abraços embrulhados em palavras.
O Tom vai fazer muita falta ao mundo. Vai fazer-me muita falta.
Faz agora parte da glória de Deus. Que Ele o guarde como a mais gentil das suas criaturas.
Paulo Hasse Paixão
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