Autoridades israelitas emitiram um pedido de desculpas depois que a Igreja Católica da Sagrada Família de Gaza, um santuário para muitos cristãos e muçulmanos durante o conflito em curso entre Israel e o Hamas, foi atingida por um ataque que deixou três mortos e pelo menos 10 feridos, incluindo o padre Gabriel Romanelli. Testemunhas atribuíram os danos ao bombardeio de tanques israelitas.

O padre Romanelli, que mantinha uma relação próxima com o Vaticano e falava regularmente com o falecido Papa Francisco, foi tratado por ferimentos na perna, mas está em estado estável. Inicialmente, foram registadas duas mortes, mas acredita-se que uma terceira pessoa tenha sucumbido aos ferimentos.

O complexo da igreja, que abriga uma pequena comunidade católica de aproximadamente 135 pessoas, serviu de abrigo para civis, incluindo crianças com deficiência. Fadel Naem, director interino do Hospital Al-Ahli, confirmou que tanto cristãos como muçulmanos estavam presentes durante o ataque.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita divulgou uma declaração sobre o incidente, afirmando:

“Israel expressa profundo pesar pelos danos causados à Igreja da Sagrada Família na cidade de Gaza e por qualquer vítima civil. As Forças de Defesa de Israel estão a investigar este incidente, cujas circunstâncias ainda não são claras, e os resultados da investigação serão publicados de forma transparente.”

A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, que é católica, condenou o incidente, afirmando:

“Os ataques à população civil que Israel vem demonstrando há meses são inaceitáveis. Nenhuma acção militar pode justificar tal atitude”.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, fez eco dos mesmos sentimentos, classificando o ataque de “acto grave contra um local de culto cristão”. Ambos os líderes pediram a cessação imediata da violência.

O Papa Leão XIV, chefe da Igreja Católica Romana, também divulgou uma declaração a este propósito, dizendo:

“Asseguro à comunidade paroquial a minha proximidade espiritual. Encomendo as almas dos falecidos à misericórdia de Deus Todo-Poderoso e rezo pelas suas famílias e pelos feridos. Renovo o meu apelo a um cessar-fogo imediato. Só o diálogo e a reconciliação podem garantir uma paz duradoura!”

O incidente ocorre no contexto de ataques intensificados em Gaza, onde o número de vítimas civis continua a aumentar. Relatórios indicam que 22 pessoas foram mortas em Gaza no mesmo dia, com preocupações contínuas sobre a segurança da pequena população cristã da região.

Os cristãos estão a ser perseguidos, atacados e maltratados até em Israel, e o regime de Benjamin Netanyahu nada está a fazer para travar a tendência e responsabilizar os agressores.

Forças de segurança israelitas fizeram recurso à violência para impedir cristãos de participar em cerimónias religiosas no Domingo de Páscoa deste ano. Os fiéis, incluindo o núncio papal, foram impedidos de entrar na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém Oriental.

Aqueles que denunciam esta hostilidade do regime israelita para com os cristãos são frequentemente acusados de antissemitismo.